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Correio da Manhã

Portugal
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Mata enteada de 22 anos durante o sono

"Acudam que ele matou a minha filha." Os gritos desesperados de Cecília Barata, 40 anos, ecoaram ontem pelo prédio em Proença-a-Nova, depois de o companheiro ter assassinado com duas facadas a filha Inês, de 22 anos, enquanto a vítima dormia. Terminou em tragédia uma "relação conflituosa" entre padrasto e enteada – por desavenças familiares.
30 de Agosto de 2011 às 00:30
 A vizinha Maria do Carmo recorda a mãe da vítima aos gritos no prédio.
A vizinha Maria do Carmo recorda a mãe da vítima aos gritos no prédio. FOTO: Edgar Martins

Carlos Ribeiro, 37 anos, andava há vários anos a fazer um tratamento contra o alcoolismo e estava proibido pelos médicos de beber. No dia e noite de domingo, ignorou a ordem e esteve num bar. Pela 01h00 de ontem, regressou a casa, no 3º andar de um prédio na rua de Nossa Senhora, e manteve nova discussão com a companheira, Cecília Barata. Por motivos "que não sabe explicar", diz ao CM fonte policial, pegou numa faca de cozinha e desferiu dois golpes na enteada, que estava deitada na cama – uma nas costas e a outra no pescoço.

Segundo o CM apurou, Carlos e a enteada tinham uma relação conturbada porque ele desconfiava de que a jovem ‘metia veneno’ na relação do casal e virava a mãe contra ele. Após o homicídio, o serralheiro saiu de casa, ligou a amigos e entregou-se à GNR pelas 06h00, com sinais de ter consumido álcool.

Alguns vizinhos ouviram a discussão do casal e aperceberam-se da saída do homicida. "Eu ouvi a Cecília a gritar pelas escadas abaixo", descreve a vizinha Maria do Carmo, que também viu Carlos Ribeiro a sair de casa "muito descontraído" e a dizer: "Fiz isto por causa dela" – apontando para a companheira. "Chamem uma ambulância que ela ainda deve estar viva", disse Carlos aos vizinhos. Maria do Carmo viu a vítima já morta e ficou chocada. "Estava deitada na cama com a faca ainda espetada no pescoço e com muito sangue na barriga." 

MELHOR ALUNA COM UM PRÉMIO DE MÉRITO

A vítima, Inês Barata, de 22 anos, frequentava o curso de Auxiliar de Educação na Escola Secundária da Sertã e ia estagiar em Castelo Branco. "No ano passado, foi considerada a melhor aluna da escola e venceu um prémio de mérito", conta ao CM Gabriel Martins, de 18 anos, amigo de Inês, que a descreve como "tímida e simpática". A vizinha Isabel Lourenço não encontra razões para o crime. "Eles eram pessoas simpáticas e educadas e nunca vi nada que pudesse indiciar o que se passou." Na Santa Casa da Misericórdia, onde trabalha a mãe da vítima, a notícia também deixou chocados os colegas, que a descrevem "como boa pessoa". O provedor, José Bairrada, diz que "a Cecília já tinha desabafado que às vezes discutiam".

HOMICIDA LIGOU A COLEGA PARA TRATAR DO CÃO

Pouco tempo depois do crime o homicida ligou a António Lopes, de 45 anos, colega de trabalho numa oficina de metalo-mecânica. E contou-lhe que tinha esfaqueado a enteada. "Estava transtornado, talvez pelo álcool. Disse o que tinha feito e que ia para a cadeia. Pediu-me para lhe tomar conta do cão que tem num terreno", conta o colega. Abílio Correia, o patrão, diz que já despediu Carlos Ribeiro por ter faltado um mês. "Depois readmiti-o sob condição de nunca mais tocar em álcool. Desde então foi um funcionário exemplar", assegura.

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