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Correio da Manhã

Portugal
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Mata ex-amante a tiro e suicida-se

Indalécio Cristina e mulher brasileira foram encontrados com balas no coração e no peito, respectivamente. Ciúmes do primeiro na origem do crime.
17 de Junho de 2010 às 00:30
PJ isolou a viatura com uma tenda para a analisar. Os dois corpos foram retirados a meio da tarde e levados para a morgue do Hospital de Faro
PJ isolou a viatura com uma tenda para a analisar. Os dois corpos foram retirados a meio da tarde e levados para a morgue do Hospital de Faro FOTO: Luís Costa

Os corpos de uma mulher com um tiro de pistola no peito e de um homem, com uma bala no coração foram ontem encontrados num Fiat Punto junto à Urbanização Quarteira Norte. Na véspera, Indalécio Manuel Gregório Cristina, 54 anos, natural de Odemira, alugara o carro em Albufeira – onde vivia com outra mulher – e foi para Quarteira, onde a ex-amante, Maria Iolanda de Oliveira, também brasileira, 41 anos, era cabeleireira. Terá morto a ex-amante a tiro, suicidando-se logo a seguir.

Só a investigação, a cargo da PJ de Faro, poderá agora apurar o que esteve na origem do crime passional. Mas tudo indica que os ciúmes terão levado o homem a matar a ex-amante e a dar um tiro no coração. 'Pelas 12h45 fui despejar o lixo e estranhei ver uma mulher dentro de um carro estacionado ao sol', contou ao CM Marta Faria, que vive a 50 metros do local do crime. 'O corpo, no lado do pendura, com o cinto posto, estava numa posição esquisita'.

'Aproximei-me e vi um homem, de olhos abertos, imóvel, deitado com a cabeça no colo da mulher, com sangue no peito e uma pistola junto aos dois', descreveu Marta Faria, que percebeu imediatamente ter-se tratado de uma tragédia.

'O cheiro era horrível e a mulher, loira, com o cabelo esticado, bem vestida, com uma blusa justa, calças, um cinto em pele e um casaco de malha cor de rosa aos ombros, já estava algo roxa', recordou a testemunha, que avisou as autoridades. 'Ainda me disseram, do outro lado da linha telefónica, para ver se os corpos apresentavam sinais vitais', contou, 'mas recusei, pois estava a passar por momentos de grande aflição'.

'Estranho é que ninguém aqui na vizinhança tenha ouvido qualquer barulho, apesar de os vidros da viatura, com a chave colocada na ignição, estarem abertos. Devem ter chegado de madrugada e o crime provavelmente foi cometido nessa altura', disse Marta Faria. 

PORMENORES

PISTOLA DE CALIBRE .22

A arma encontrada no local do crime é uma pistola calibre .22. Autoridades estão a investigar a sua proveniência.

'VIZINHANÇA DUVIDOSA'

Moradores na Urbanização Quarteira Norte, situada perto do cemitério local, queixam-se da 'vizinhança duvidosa' à noite.

PROSTITUIÇÃO

A conhecida estrada da SIC, onde prostitutas procuram clientes, situa-se a 500 metros do estacionamento onde a viatura foi encontrada.

VIATURA TINHA SIDO ALUGADA EM ALBUFEIRA

O Fiat Punto onde, ao início da tarde, foram encontrados os dois corpos sem vida tinha sido alugado por Indalécio num rent-a-car de Albufeira. O homem, de resto, já era conhecido naquela empresa.

'Fui eu mesmo a efectuar o negócio', confirmou ao CM Aníbal Caetano, sócio-gerente da Auto Firme. 'O cliente [Indalécio Cristina] alugou a viatura por volta das 14h30 de terça-feira, e por um período de 24 horas', explicou o empresário, que já conhecia a vítima de outros alugueres anteriores.

'Vinha cá algumas vezes alugar viaturas e nunca houve qualquer problema', esclareceu Aníbal Caetano, que ontem, depois de contactado pelas autoridades, estava no local do crime para tentar recuperar a viatura da empresa.

CASAL TINHA TIDO UMA RELAÇÃO PROBLEMÁTICA

O homicida e a vítima já teriam vivido juntos. Mas a relação era tempestuosa. 'A vítima já teria apresentado, junto do Tribunal Judicial de Albufeira, uma queixa, contra o seu ex-companheiro, por violência doméstica', disse ao CM fonte policial. O processo ainda estaria a decorrer no Tribunal de Albufeira. Segundo um amigo, Indalécio já não vivia com a vítima – mas gabava-se de ser a sua amante em Quarteira. 'Actualmente, vivia num apartamento no Forte de S. João, com outra brasileira, com quem trabalhava numa unidade hoteleira de Albufeira'. Indalécio era responsável pela manutenção em unidades hoteleiras.

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