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Correio da Manhã

Portugal
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Professora mata namorado após jantar de luxo no Ritz

Mulher revela pacto de suicídio, mas diz que desistiu à ultima da hora.
Tânia Laranjo 26 de Janeiro de 2018 às 01:30
Mata namorado depois de jantar de luxo no Ritz
Moravam no Parque das Nações
Campus de Justiça
Mata namorado depois de jantar de luxo no Ritz
Moravam no Parque das Nações
Campus de Justiça
Mata namorado depois de jantar de luxo no Ritz
Moravam no Parque das Nações
Campus de Justiça
Fernanda Baltazar, de 36 anos, entra no tribunal vestida de preto, dos pés à cabeça. Chora durante o depoimento, conta que matou o namorado, mas diz que o fez porque ele lhe pediu. Revela um pacto de morte, do qual ela desistiu à última da hora. Foi a 23 de dezembro de 2016, após um jantar de luxo no hotel Ritz, em Lisboa.

Fernanda é acusada de homicídio qualificado, mas diz só o ter ajudado no suicídio. E conta que foi Hugo quem escolheu a forma de morrer. Usaram gelo seco e água, para que fosse libertada uma nuvem espessa de monóxido de carbono - técnica usada no cinema para criar efeitos especiais. Fernanda fala de uma relação marcada por contactos com o além e pela busca de uma forma de morrer que não deixasse ninguém indiferente.

"Acabávamos pelo menos uma vez por mês. Agora percebo que era obsessivo. Ele dizia que ouvia vozes e que tínhamos de ficar juntos. Acreditava na reencarnação e dizia-me que íamos ter com a minha mãe e as nossas avós", diz aos juízes a professora de português e inglês que abandonou o ensino para acompanhar, "24 horas por dia", o namorado.

"Tinha dinheiro de família. Vendi muitas obras de arte para mantermos o estilo de vida, mas fazia-o com gosto", conta, garantindo que fez tudo para evitar o desfecho: "Tentei tudo para o demover. Ele pediu-me para morrer e depois de tomar comprimidos para dormir ele atirou duas garrafas de água para cima do gelo seco. Eu atirei pelo menos mais duas e ele disse-me ‘obrigada, amorzinho’. Depois eu saí e ele ficou".

Fernanda deixou Hugo no quarto da casa onde moravam, no Parque das Nações, onde depois deflagrou um incêndio que a PJ diz ter sido provocado por Fernanda. Que esta queria livrar-se de Hugo e encenou um suicídio ‘cinematográfico’.

Compraram 35 quilos de gelo seco e levaram para casa   
Horas antes do jantar no Ritz, Fernanda e Hugo compraram 35 quilos de gelo seco. Levaram-no  depois para casa, onde o deixaram até regressarem, já à noite. Fernanda conta que já tinha tentado demover o namorado de várias formas.

Tinham até combinado casar-se, mas ele desistiu. "Eu era o fio que o agarrava à vida", diz em lágrimas, garantindo que se arrepende de não ter ido com ele. "Mas ele sabia que eu não ia morrer. E mesmo assim quis fazê-lo". 

"Não tive coragem, fugi porque matei quem mais gostava"  
Fernanda diz que fugiu de táxi e que voltou para Vila Nova de Gaia, onde cresceu e onde continuava a ter casa.

"Estava desnorteada. Tinha medo de ser presa, nem sabia bem o que fazer. Fugi porque matei quem mais gostava", contou Fernanda, que chorou quando o pai do namorado lhe contou que ele tinha morrido. "Ligou-me uns dias depois. Eu já tinha chorado muito, mas voltei a chorar".

PORMENORES 
Prisão preventiva
Fernanda está presa desde os últimos dias de dezembro de 2016. Foi detida pela PJ, em Gaia, para onde se dirigiu após deixar Hugo a morrer no quarto.

Usava peruca
No dia em que matou o namorado, Fernanda usava uma peruca. Diz que o fazia porque tinha perdido muito cabelo devido ao estado depressivo em que também se encontrava.

Jantaram veado no Ritz
Antes de o matar, Fernanda pagou cerca de 300 euros por um jantar de veado no hotel Ritz com Hugo.
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