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Correio da Manhã

Portugal
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Matança ilegal vista por 2 mil

Primeiro foi laçado na córnea. Depois, o touro, com cerca de 600 quilos, foi puxado até à muralha da antiga praça de armas da vila de Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, onde foi morto pelos populares. Estava, assim, cumprida uma tradição que dizem ser ininterrupta desde 1877, mas que foi proibida em 2002.
12 de Setembro de 2010 às 00:30
No final da matança, os populares tocam no animal e dão vivas à tradição
No final da matança, os populares tocam no animal e dão vivas à tradição FOTO: direitos reservados

Apesar de ilegal, mais de duas mil pessoas assistiram à tourada, integrada nas festas em honra do Nosso Senhor Jesus dos Passos. Nos últimos anos, para evitar a identificação do matador, a organização tapa o momento da morte do animal com uma lona.

"Há 20 ou 30 anos, toda a gente via o animal ser morto para depois a carne ser distribuída pela população. Essa era a alma das festas", referiu José Cartaxo, residente na região.

O município nunca deixou de defender as touradas de morte. Em 2008, obteve uma decisão favorável do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, que reconheceu à tradição de Monsaraz o carácter de excepção, tal como aplicado às touradas de morte em Barrancos, por se realizar sem interrupções há 50 anos. A Inspecção-geral das actividades Culturais (IGAC) recorreu da sentença. Aguarda-se agora por uma decisão do Tribunal Central Administrativo Sul.

Sem autorização da IGAC, a GNR identificou a organização das festas e apreendeu o touro.

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