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Correio da Manhã

Portugal
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"Mataram-me a amiga e roubaram-me tudo"

Miquelina Silva, 84 anos, sobreviveu a brutal ataque com amoníaco.
João C. Rodrigues 21 de Maio de 2015 às 14:20
Miquelina Silva (ao centro, apoiada por familiares) viu amiga morta no quarto da casa que partilhavam
Miquelina Silva (ao centro, apoiada por familiares) viu amiga morta no quarto da casa que partilhavam FOTO: Vítor Mota
"Abri a porta e senti logo um empurrão e um pano na boca. Quando acordei estava amarrada na sala. Nem sei como me soltei das cordas. Fui ao quarto e a Blandina estava morta. A seguir bati à porta da vizinha a pedir ajuda. Depois só me lembro de acordar no hospital. Fiquei surda e cega. Não consigo comer por causa das queimaduras e sinto que toda a gente na rua olha para mim por causa da minha cara. Eles mataram-me uma amiga e roubaram-me tudo. Tenho 84 anos e agora não tenho nada".

Este foi o relato de Miquelina Silva ontem no Tribunal de Lisboa, na primeira sessão do julgamento de Andreas Bessai e Jadiel Farias, dois homens, de 46 e 51 anos, de nacionalidade brasileira, que em junho do ano passado mataram Blandina Braga, de 89 anos, à pancada, na casa onde vivia, na Penha de França. Estão a ser julgados por três homicídios qualificados – dois na forma tentada –, roubo e rapto, que confessaram em tribunal.

A única sobrevivente do assalto ficou com marcas para o resto da vida – fraturas no maxilar e nas costelas, contusões em todo o corpo e queimaduras na córnea e nas vias respiratórias devido ao amoníaco usado pelos dois homicidas para a adormecer. O produto tem os efeitos de um ácido e funciona ao contrário do clorofórmio. "Pensava que era como nos filmes", admitiu Andreas Bessai. Os dois brasileiros roubaram pouco mais de 500 euros em ouro e dinheiro.
Tribunal de Lisboa homicídio assalto crime lei e justiça
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