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Correio da Manhã

Portugal
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MATEMÁTICA FOI FÁCIL MAS LONGA

Acessível, mas demasiado extenso. É assim que os estudantes descrevem o exame do 12º ano de Matemática.
19 de Junho de 2002 às 23:12
Perto de 70 mil alunos tiveram ontem oportunidade para testar os seus conhecimentos numa das disciplinas que mais os aterroriza, mas um número significativo optou por faltar.


Dados do Ministério da Educação dão conta que 52 por cento (35.352) dos alunos inscritos (68.340) faltou à primeira chamada. A prova, porém, acabou por revelar-se bem mais fácil do que seria de esperar.


É essa a opinião de Gabriela Pina, professora desta disciplina na Escola Secundária da Cidade Universitária, escola onde cerca de 50 por cento dos alunos não foi a exame. A docente garante que o maior problema do teste está relacionado com a "descodificação dos enunciados", dificuldade já inerente aos alunos que "têm grandes dificuldades em interpretar os textos".


De resto, "a prova não era tão elaborada como as dos anos anteriores", "não tinha raciocínios complicados" e os alunos "até podiam duvidar da sua facilidade".


E assim foi. O "bicho-papão" da Matemática acabou por não meter medo aos estudantes, mas o exame não deixou de os apanhar de surpresa por ser demasiado extenso.


Opinião que a Associação de Professores de Matemática contesta. De acordo com a sua análise, "a prova está de acordo com os objectivos do programa, dimensionada para o tempo destinado à sua resolução e o seu grau de dificuldade é aceitável; as questões estão formuladas com clareza".

Tempo escasso

Assim não o entenderam os examinados. Para a maioria dos alunos que fizeram o teste na Escola Secundária da Cidade Universitária, a prova até que nem correu nada mal, mas a sua extensão não passou despercebida a nenhum.


A Rita, por exemplo, não conseguiu acabar a prova e deixou por fazer a última parte que valia 4,1 valores, "fora o que foi ficando para trás". Tal como todos os seus colegas, diz que o teste "foi fácil", mas lamenta que "o tempo tenha dificultado bastante".


Já a Maria do Rosário, para quem as coisas correram melhor, coloca o grau de dificuldade na segunda parte. "Havia alguma coisa no perímetro", diz acrescentando que acabou por se "atrapalhar também na derivada". Mesmo assim, aposta num 15 como resultado final. Nada mau.


A Maria do Rosário diz ainda que a sua escola é um caso particular e que os seus colegas, regra geral, têm bons resultados. "A escola é muito exigente e se calhar é isso que falta nos outros estabelecimentos do País, onde os graus de exigência são muito diferentes e onde há uma política de facilitismo".


Amanhã vão a exame 21.547 alunos para testar os seus conhecimentos a Filosofia, História da arte, História das Artes Visuais e Introdução à Economia. Tal como tem vindo a fazer desde o início da semana, o CM divulga a prova e a correcção da disciplina que tem maior número de alunos inscritos, neste caso a Filosofia. A proposta de correcção será feita pela associação de professores do sector.
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