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Correio da Manhã

Portugal
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Matou amigo por ciúmes

A Polícia Judiciária deteve segunda-feira um jovem, de 20 anos, suspeito de ter esfaqueado um outro, de 24, no passado dia 4 de Novembro. O cadáver de Artur Ferreira foi encontrado um dia depois, semienterrado no Parque Eduardo VII, em Lisboa. Na origem do crime poderão estar ciúmes.
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
Na origem da morte de Artur Ferreira terão estado ciúmes da sua relação de amizade com Rita (à direita), a ex-companheira do alegado homicida. A mãe e a irmã (à esquerda) estão estupefactas com a detenção de João
Na origem da morte de Artur Ferreira terão estado ciúmes da sua relação de amizade com Rita (à direita), a ex-companheira do alegado homicida. A mãe e a irmã (à esquerda) estão estupefactas com a detenção de João FOTO: Natália Ferraz
A última vez que os amigos de Artur o viram, estava ele num café a assistir a um jogo do Benfica. “Já volto”, disse, e nunca mais apareceu.
Inicialmente os amigos pensaram que Artur, mais conhecido por ‘Osga’, tinha sido raptado por quatro indivíduos que seguiam numa viatura e o teriam apanhado na Rua do Arsenal. Pelo menos esta foi a versão contada por João, um dos seus melhores amigos e o último a ser visto com a vítima.
A tristeza que João revelou no funeral de Artur, e o apoio que deu a todo o grupo de amigos comuns afastou quaisquer suspeitas. Mas volvido um mês do violento homicídio, o caso mudou de figura.
Segunda-feira João foi detido por ser o principal suspeito de desferir 20 facadas no ‘Osga’. E por que é que um jovem de 20 anos mata um amigo? O nome Rita poderá ser uma explicação.
“Vivi com o João seis meses. Tivemos um filho. Alguns dias depois do nascimento do bebé, separámo-nos. Ele era violento”, contou a jovem de 17 anos ao CM.
Rita admitiu que a amizade que a unia a Artur era tão grande que provocava “ciúmes doentios a João”. Os amigos comuns acrescentam ainda que “os ciúmes não eram só de Rita, mas da excelente pessoa que o ‘Osga’ era”. Nunca ninguém desconfiou sequer que o autor daquele crime podia ser um dos amigos do grupo. Mas, agora de cabeça fria, a mãe de Rita pensa nalgumas conversas que outrora lhe passaram ao lado. “Um dia o Artur chamou-me ‘sogrinha’. Eu perguntei porquê. Questionei até se namorava alguma das minhas filhas”, recordou Helena Horta.
Mas ‘Osga’ negou. Disse apenas que João lhe tinha dado os parabéns pela nova namorada, a Rita. “És uma criança, deves estar é bêbedo”, respondeu Artur a rir.
A mudança de visual de João também é motivo de falatório. “Dizia que foi a pedido da PJ, por temer que também ele fosse raptado”, recorda uma amiga.
“Ele ainda disse que a PJ lhe tinha dado um telemóvel para estar sempre comunicável. Mas quando fui prestar declarações negaram”, acrescentou uma outra jovem.
Já as duas mensagens ameaçadoras que a mãe de Rita e um outro amigo receberam levantam as suspeitas do remetente. “Talvez servissem para sustentar a tese do rapto”, explicam. “Nunca esperei um desfecho assim”, lamentou Rita.
ENCONTRO DE AMIGOS NO PARQUE
No dia 5 de Novembro o operário de uma obra no Parque Eduardo VII, em Lisboa, descobriu um cadáver semienterrado por trás do estaleiro onde estava a ser construído um restaurante. Sem qualquer identificação ou valores, a vítima veio a ser identificada como Artur Jorge Machado Ferreira, de 24 anos.
Artur tinha sido esfaqueado 20 vezes por todo o corpo. Marília Parracho, madrinha da vítima, apresentou a versão dos factos ao Correio da Manhã. “Um carro com quatro pessoas no interior levou o meu afilhado da Rua do Arsenal”, explicou. Mas esta versão teria sido contada pelo agora detido João. Os amigos estão incrédulos com a frieza do jovem de 20 anos, que chorou a morte de Artur e os apoiou durante o último mês. Ainda assim querem acreditar que João mandou alguém cometer o crime. Tese contrariada pela Polícia.
Fonte policial garantiu ao CM que os jovens encontraram-se, pelas 00h00, no Parque Eduardo VII e na origem do crime estaria uma terceira pessoa não presente no local. “O que leva um jovem de 20 anos a esfaquear 20 vezes um amigo?”, lançou a questão. A primeira resposta parece nada, mas houve. A Rita, o filho de quatro meses e uns “ciúmes doentios”, como descreveram os amigos de ‘Osga’, como era conhecido o falecido.
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