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Correio da Manhã

Portugal
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MATOU BEBÉ E FICA À SOLTA

Os familiares da bebé atropelada anteontem em Bragança, em cima de uma passadeira e que provocou a morte da criança de 45 dias, ficaram revoltados ao tomarem conhecimento da medida de coacção que o Tribunal de Macedo de Cavaleiros decretou ao condutor infractor: liberdade até ao julgamento. A bebé, Luana, ia ser baptizada no dia 15 de Agosto.
1 de Agosto de 2004 às 00:00
A mãe da bebé e um outro filho de três anos continuam no hospital e os familiares contestam a decisão judicial de libertar o arguido
A mãe da bebé e um outro filho de três anos continuam no hospital e os familiares contestam a decisão judicial de libertar o arguido FOTO: Luís C. Ribeiro
“Hoje, anda-se alcoolizado na estrada, atropela-se, mata-se e no dia seguinte está-se na rua como se nada tivesse acontecido. Quem somos nós para julgar, mas quem nos garante que, com esta decisão do tribunal, hoje mesmo o homem não volta a beber e a fazer a mesma asneira, como aquela que custou a vida à minha sobrinha”, disse Jorge Ferreira, irmão do pai da vítima.
Os familiares, pelo lado paterno uma família de Solveira, Montalegre, e pelo lado materno, com residência no Bairro do Sol, Bragança, todos se juntaram nas imediações das urgências do Hospital Distrital de Bragança, para se inteirarem do estado de saúde de mãe e filho, ainda internados naquela unidade hospitalar. Tiago Miranda Ferreira, de três anos, apresenta um quadro clínico algo problemático com traumatismos no couro cabeludo, costas, membros superiores e face. A mãe tem escoriações nas costas e num braço e já poderia ter tido alta médica não fosse a necessidade de ficar junto do filho.
Aurora Vaz Miranda Ferreira, emigrante na Suíça, tinha regressado há dez dias a Portugal, acompanhando o seu pai, Luís Miranda, que se havia deslocado àquele país para assistir ao baptizado de um outro neto. O marido, José Ferreira, ficou ainda na Suíça a trabalhar até dia 15 de Agosto, altura em que tinha marcado o regresso a Portugal para, entre outras actividades, realizar o baptizado da pequena Luana. Durante toda a manhã de anteontem as crianças, Luana (45 dias) e Tiago (três anos), estiveram a brincar no pátio da residência do avô, onde o CM foi encontrar os brinquedos no local onde tinham sido deixados quando saíram de casa para acompanhar a mãe ao Intermarché.
Quando atravessavam a passadeira em frente à superfície comercial, e quando já estavam no centro da via, surgiu uma viatura nas suas costas que arrancou o carrinho onde a mãe transportava a bebé, projectando-o, e arrastando a progenitora e o outro filho.
As três vítimas foram transportadas de imediato ao Hospital de Bragança, com a bebé, Luana Miranda Ferreira, a merecer cuidados especiais dada a gravidade dos seus ferimentos. Dado não estar baptizada e para que não morresse sem essa bênção, os serviços religiosos da unidade de saúde providenciaram para que a menina fosse baptizada de urgência antes de falecer.
O QUE DECIDIU O TRIBUNAL
N.C., 28 anos, estufador, residente no Bairro da Mãe D’Água, foi detido pela PSP de Bragança e o teste detectou-lhe 1,58 gramas por litro de álcool no sangue. O condutor foi ainda conduzido ao Hospital de Bragança onde lhe foram feitas análises ao sangue, dado tratar-se de um toxicodependente.
O Tribunal de Turno, em Macedo de Cavaleiros decretou a apresentação três vezes por semana na esquadra da PSP; a proibição de sair da sua residência durante a noite; não poder frequentar bares e cafés; e não poder sair da cidade de Bragança sem dar conhecimento ao tribunal. Teve outro acidente há sete meses.
FAMILIARES
CONTROLO
“Como pode o tribunal decretar a proibição de sair de casa à noite. Quem o controla? Vai haver um polícia à porta para o controlar. Há decisões da Justiça que não entendemos”.
ÁLCOOL
“Não pode frequentar bares e cafés, com o intuito de não se embriagar. Quem garante que ele não bebe em casa e quando pega na viatura para dar voltas pela cidade, ele não está alcoolizado?”
APRESENTAÇÕES
“Apresentar-se três vezes por semana no posto da polícia, alegadamente, para saber o estado em que se encontra. Então, e os outros dias, pode beber à vontade? Como vamos compreender a Justiça”.
MORRERAM 246 NO ANO PASSADO
Cerca de 7500 peões estiveram envolvidos em acidentes rodoviários ocorridos no ano passado. Destes, 246 morreram e 902 sofreram ferimentos graves. Em ambos os casos, foram os valores mais baixos dos últimos quatro anos, apesar de continuarem muito acima da média europeia; Portugal regista um peão morto por cada cinco vítimas mortais em acidentes de viação. Ou seja, a taxa de sinistralidade entre os peões é superior à de condutores e passageiros; por cada 100 peões vítimas, quatro acabam por morrer e 14 sofrem ferimentos graves.
Nas outras duas categorias, registam-se duas mortes e oito feridos graves por cada 100 feridos. A maioria dos casos ocorre dentro das localidades e, de acordo com o Plano Nacional de Prevenção Rodoviária, deriva directamente do excesso de velocidade.
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