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Correio da Manhã

Portugal
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Matou e escondeu

Américo era, segundo os vizinhos com quem partilhou o n.º 67 da Av. Duque de Loulé, em Lisboa, até ser assassinado no passado dia 16 por um dos seus inquilinos, “um homem bom que ajudava e tinha pena de toda a gente”.
21 de Agosto de 2007 às 00:00
Matou e escondeu
Matou e escondeu FOTO: Ricardo Cabral
Quis o destino que o reformado se cruzasse com um homem, de 35 anos, a quem emprestou o seu ombro amigo na tentativa de lhe dar um novo alento para encarar a vida. Mal sabia Américo que, meses mais tarde, viria a ser assassinado a sangue frio por Carlos: o homem a quem tinha alugado um quarto.
Há cerca de nove meses, Carlos procurou Américo pedindo-lhe ajuda. Tinha-se divorciado há pouco tempo e precisava de um sítio para morar. Américo estendeu-lhe a mão, alugou-lhe um quarto no apartamento de que era proprietário no sexto andar do mesmo prédio onde morava.
Ao início, relata um vizinho, Carlos pagava a renda ao dia combinado com a vítima. Mas depressa deixou de o fazer, pois ficou desempregado e sem dinheiro.
“O sr. Américo tinha pena dele e perdoava-lhe tudo. Mas já se tinha chateado com o inquilino e queria que este abandonasse o quarto que lhe alugara e aquele não queria sair”, conta um vizinho ao CM.
Na manhã do dia 16, a conversa entre Américo e Carlos azedou. Segundo fonte da Polícia Judiciária, Carlos agrediu o senhorio por não querer abandonar o quarto cuja renda não pagava há meses. Bateu-lhe e matou-o durante uma acesa discussão ainda não era meio-dia. Amarrou o cadáver com cordas, em posição fetal, colocou o corpo dentro de dois sacos de lixo pretos e escondeu-o no guarda vestidos do seu quarto.
Entretanto, a mulher de Américo, Belmira, de 60 anos, preocupada com o não regresso do marido – que tinha ido fazer a ronda habitual ao sexto andar pelas nove da manhã –, decide participar o seu desaparecimento à PJ.
“Enquanto a senhora veio cá, o homicida aproveitou para roubar jóias de casa da vítima e, alegadamente, dinheiro usando a chave da vítima, da qual se tinha apoderado”, revela fonte da PJ.
PRESO COM PIZZA NA MÃO
O assassinato de Américo no prédio onde viveu mais de 30 anos, chocou a vizinhança. Incrédula, uma vizinha da vítima afirma que apesar de saber que o homicida se embriagava nunca esperou um desfecho destes. “Que horror, nunca pensei. O Carlos tinha um ar tão calmo, parecia que não fazia mal a uma mosca e matou o homem assim”. Depois de esconder o corpo de Américo no armário do quarto, Carlos – que aguarda julgamento em prisão preventiva na cadeia de Lisboa – saiu do prédio no carro da vítima e só regressou por volta da meia-noite. “Vinha de pizza na mão e deu de caras com a polícia no sexto andar. Disse que não tinha visto o Américo, a polícia mostrou-lhe o cadáver e levou-o preso”, contam vizinhos.
PORMENORES
AMEAÇADO COM FACA
Um vizinho da vítima, que preferiu manter o anonimato, afirma que Carlos “arranjava confusão sempre que consumia álcool e se drogava”. “Ele já tinha ameaçado o sr. Américo com uma faca e disse que o matava”, conta. De bom coração, o senhorio “decidiu perdoar a falta de respeito”, nunca pensando que meses depois ia morrer às mãos do inquilino.
SEM FAMÍLIA E RUMO
Aos 35 anos, o homicida já conta um divórcio e o abandono da família. “É um homem com ar de quem não faz mal a uma mosca, mas é mau... e é por isso que ninguém quer saber dele. Nem a família”, conta uma vizinha. Carlos trabalhava numa empresa de construção civil até ser despedido por ter ameaçado o patrão de morte. Sem dinheiro e com dívidas, estava desesperado, contam os vizinhos.
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