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Correio da Manhã

Portugal
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Matou por 20 euros

Uma dívida de 20 euros por liquidar terá sido o motivo que levou um ucraniano de 53 anos a matar, com dois tiros de pistola, um compatriota seu de 25, ao final da tarde de anteontem, na aldeia do Pó, no Bombarral, onde se concentra uma grande comunidade de estrangeiros que trabalha na agricultura.
18 de Setembro de 2006 às 00:00
“O rapaz devia 20 euros ao que o matou. Ele já lhos tinha pedido, mas não recebeu e andava chateado”, contou Francisco Monteiro, proprietário da residência onde morava a vítima, Dennis Sidak, que fazia serviços agrícolas.
“O homem veio falar com o meu filho, para quem o rapaz trabalhava, e contou-lhe que este lhe devia vinte euros e que não pagava. O meu filho disse-lhe que teriam de ser eles a resolver a situação e que não se ia meter, avisando-o que no sábado iria pagar o ordenado ao rapaz e, se ele quisesse, aparecesse no escritório para resolverem os dois o assunto”, relatou Francisco Monteiro.
O suposto agressor voltou à hora do pagamento, encontrou o compatriota e foram os dois para casa deste, situada em frente ao escritório da empresa. Ouviram-se dois disparos. Dennis Sidak tinha sido atingido com tiros de pistola e o agressor desaparecera.
Foi um dos gerentes da empresa que alertou os bombeiros, mas o ucraniano já estava morto quando chegou o socorro. O corpo foi transportado ao Instituto de Medicina Legal de Leiria, para ser autopsiado, enquanto a GNR deteve o agressor na sua residência. É hoje presente a Tribunal.
Segundo foi possível apurar, a vítima residia há um ano na aldeia do Pó, mas não estava em situação legal, ao contrário do agressor. Na povoação moram perto de 200 estrangeiros, em especial romenos e ucranianos, que asseguram trabalhos agrícolas que evitam que os campos fiquem desertos.
Há 11 dias, uma acção do SEF e da GNR no local levou à identificação de 33 imigrantes. Dez deles receberam ordem de abandono do País.
A acção de fiscalização desencadeada serviu também para detectar irregularidades em empresas que fornecem trabalho a indivíduos em situação ilegal. Neste sentido, quatro patrões foram identificados, tendo um deles recebido um auto de notícia por contra-ordenação.
PORMENORES
APANHADO AO JANTAR
O alegado criminoso foi detido na casa onde mora sozinho. Estaria a preparar o jantar e negou ter sido o autor dos disparos, mas foi preso sem oferecer resistência. É uma pessoa de quem a população tinha uma boa impressão.
FUNERAL NA UCRÂNIA
O pai da vítima, que também já trabalhou na aldeia, deverá regressar a Portugal para levar o corpo de Dennis, a fim de ser sepultado no seu país. Alguns colegas do filho já fazem um peditório pela aldeia para pagar as despesas da transladação do cadáver.
COMUNIDADE CALADA
Apesar do grande número de indivíduos de Leste a viver temporariamente na aldeia, após o crime só pequenos grupos é que são vistos nos cafés e fogem às conversas sobre o que se passou com o compatriota, preferindo remeter-se ao silêncio.
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