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Correio da Manhã

Portugal
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Matou por um piropo

Acabou de almoçar, saiu do restaurante com dois amigos e terá dito um piropo à namorada de um jovem que estava no local. Pouco depois, já regressava ao trabalho quando foi surpreendido e esfaqueado no coração. O crime ocorreu às 13h00 de ontem, na Rua Lindo Vale , junto à Praça do Marquês,no Porto.
16 de Maio de 2006 às 00:00
Quando a equipa de emergência médica chegou ao local, a vítima já estava morta
Quando a equipa de emergência médica chegou ao local, a vítima já estava morta FOTO: António Rilo
“Todas as pessoas dizem que ele foi morto por mandar um piropo à namorada de um rapaz que costuma parar aqui na rua”, disse um popular que não se quis identificar.
O homicida, com cerca de 20 anos, ao que tudo indica enraivecido pelo piropo, segundo vários populares, dirigiu-se a um restaurante da Rua Lindo Vale e pediu uma faca. Depois, correu em direcção à vítima e desferiu-lhe o golpe fatal no coração. Fugiu, mas foi localizado pela Polícia Judiciária e passou a noite detido.
Ao que o Correio da Manhã apurou, a PJ deteve ainda o filho do proprietário do restaurante, por ter sido este a facultar ao homicida a arma que veio a consumar o crime.
A vítima, de 22 anos, era trolha e trabalhava numa obra perto do local onde foi assassinado. Ficou durante alguns minutos prostrado a esvair-se em sangue, até falecer no passeio. Quando o INEM chegou ao local já encontrou o corpo sem vida. O jovem deixa dois filhos.
“Vi-o deitado no passeio, a deitar muito sangue pela boca. Tinha o corpo todo ensanguentado, foi um horror”, disse uma testemunha.
Ao que o CM apurou, este foi o episódio de maior violência, mas não foi o primeiro em que o alegado homicida se envolveu até hoje. O passado “não abona nada em seu favor”, dizem.
“Ele costuma estar aqui na esquina da rua sempre com um grupinho jeitoso a fumar droga. Já há mais de um ano, este mesmo tipo deu uma carga de porrada a uma rapariga aqui perto. Há pouco tempo, depois de um desentendimento, ameaçou um homem com uma vara de ferro”, contou um vizinho que também não se quis identificar.
MORADORES INDIGNADOS COM O CRIME
“Esta zona é do pior. Vê-se aqui de tudo um pouco desde álcool, droga e prostituição. É um autêntico pandemónio, muitas vezes temos de nos afastar porque se alguém se mete com eles pode ter problemas”, disse ao CM um popular.
Segundo os moradores, a zona do Marquês não tem só mau ambiente durante a noite. “De dia é a mesma coisa”, afirmam.
A falta de policiamento é uma queixa recorrente de quem se sente inseguro. “Isto é uma pouca vergonha, o que aqui se passa, havia de ter mais Polícia porque assim eles não tinham o mesmo à vontade que demonstram”, disse outro morador.
A Brigada de Homicídios da PJ do Porto assumiu a investigação e, ao final da tarde de ontem, interrogava o agressor.
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