Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

Mau tempo faz desalojados

Telhados pelo ar, infiltrações, casas e ruas inundadas, árvores caídas e estradas interrompidas: foi este o cenário ontem observado em quase todo o País. O vento forte e a chuva intensa causaram estragos em todas as regiões. Os casos mais graves registaram-se no Porto e no Montijo, onde duas famílias ficaram desalojadas por causa do mau tempo.
4 de Janeiro de 2008 às 00:00
Na Rua das Fontainhas, no Porto, uma família de quatro pessoas foi realojada em casa de amigos. Uma infiltração no tecto de um edifício com três pisos obrigou à retirada. Segundo os Sapadores, apesar de não existirem problemas estruturais, graves deficiências no telhado impediam a permanência da família em casa.
A chuva intensa que caiu durante a madrugada no Grande Porto provocou ainda inúmeras inundações. Os Sapadores do Porto contabilizaram cerca de 30 pedidos de auxílio, tal como os colegas de Gaia que, apesar de não terem um registo exacto, contabilizaram “dezenas” de chamadas.
Outro dos casos mais complicados deu-se no acesso da A1 à rotunda de Santo Ovídeo, em Gaia, onde a queda de uma árvore de grande porte provocou um forte congestionamento de trânsito.
Mais a sul, o cenário de destruição repetiu-se: um casal de idosos do Montijo viu a cobertura do barracão onde habitava destruída. A exemplo do que aconteceu a Norte, foram acolhidos por familiares.
Segundo o Centro Distrital de Operações de Socorro, os concelhos de Setúbal, Almada e Barreiro foram os mais afectados pela chuva e vento fortes. Em Manteigadas, o desabamento de muros de protecção na Escola Secundária D. Manuel Martins e na Escola Básica das Manteigadas levou a que as aulas fossem suspensas. A Protecção Civil registou outros seis desabamentos e a queda de dois cabos eléctricos. Em Almada caíram 22 árvores e no Barreiro houve 10 inundações.
Já em Lisboa, os 70 pedidos de auxílio deveram-se a pequenas inundações, quedas de árvores e algumas telhas arrancadas, mas nenhum caso mereceu maior cautela.
Um dos principais transtornos causados pelo mau tempo foi a queda de uma catenária na linha ferroviária do Norte, em Espinho, que condicionou todo o dia a circulação de comboios.
Ontem, ao final da tarde, seis distritos do Norte do País mantinham-se em alerta laranja devido à agitação marítima.
MAIOR NEVÃO NA ESTRELA
A Serra da Estrela foi ontem coberta pelo maior nevão da época. A temperatura atingiu os dois graus negativos em Piornos, e em alguns locais a neve – mais visível acima dos mil metros – ultrapassou os dois metros de altura. Para hoje, prevê-se nova queda de neve, mas só acima dos 1400 metros de altitude.
RADIOGRAFIA DO PAÍS
- Uma família desalojada na zona das Fontainhas e dezenas de inundações em habitações e na via pública foram as consequências mais visíveis das grandes bátegas de chuva que a espaços assolaram o Porto, onde ocorreu também uma intensa queda de granizo a meio da manhã.
- A neve levou ao encerramento das estradas para a Torre, na Serra da Estrela. Nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém os bombeiros receberam mais de uma centena de alertas sobre queda de árvores e pequenas inundações, sem danos.
- Os Sapadores de Lisboa receberam 70 pedidos de ajuda durante a madrugada. Pequenas inundações, infiltrações, entupimentos e queda de árvores originaram os pedidos de apoio, a par de vias inundadas, algerozes entupidos e telhas arrancadas.
- Nos três distritos alentejanos de Beja, Évora e Portalegre, os bombeiros foram alertados para pequenas inundações sem danos materiais e para a queda de 60 árvores, a maioria em Beja (29). Em Évora, uma árvore caiu em plena Avenida Leonor Fernandes, provocando o corte da via.
DETALHES
MAU TEMPO CONTINUA
Nos próximos dois dias, o vento vai ficar mais fraco, mas o céu vai continuar muito nublado e a chuva vai continuar a cair. Segundo o Instituto de Meteorologia, apesar do abrandamento o mau tempo vai manter-se pelo menos até domingo.
GUARDA COM ÁGUA
A chuva dos últimos dias acabou com a falta de água em duas povoações do concelho da Guarda que estavam a ser abastecidas pelos bombeiros. Segundo a Protecção Civil local, a seca criou problemas nas freguesias de Rochoso e Toito.
FARO SENTIU EFEITOS
No Algarve foi registada a queda de 15 árvores e de cinco estruturas, uma inundação e um deslizamento de terras. A barra de Faro foi fechada a barcos com menos de dez metros.
Ver comentários