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Correio da Manhã

Portugal
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MEDIADORES PARA A POLÍCIA

As forças de segurança, nomeadamente a PSP e a GNR, não estão preparadas para lidar com as vastas comunidades de imigrantes que não falam português, foi reconhecido no seminário ‘As Polícias e as Minorias – Mediação e Cooperação’, que ontem decorreu no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna, em Lisboa.
27 de Março de 2003 às 00:00
O inspector-geral da Administração Interna, Rodrigues Maximiano, chamou a atenção para o facto, na cerimónia de abertura dos trabalhos, no que foi apoiado por António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP), em declarações ao Correio da Manhã.

“A solução passa pela existência de pessoas destas minorias para fazerem o contacto, à semelhança do que se passa com o projecto ‘Escola Segura’”, explicitou António Ramos.

“Esta é uma iniciativa muito louvável, importante e oportuna, porque as forças policiais estão em contacto directo e imediato com os imigrantes e minorias étnicas, o que tem que ser cada vez mais personalizado”, referiu por seu lado o alto comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, padre Vaz Pinto, a propósito da realização deste seminário.

Do ponto de vista das associações de imigrantes, a iniciativa também foi bem recebida. “É fundamental que haja um diálogo aberto entre as instituições policiais e as minorias étnicas para quebrar o mal-estar e a desconfiança e para mudar a ideia de uma Polícia como força repressora”, destacou por sua vez Fernando Ká, da Associação Guineense de Solidariedade Social.

Rodrigues Maximiano defendeu ainda a necessidade de haver um empenhamento dos agentes das forças de segurança na aproximação às comunidades, nomeadamente aos imigrantes de segunda geração, divididos entre os valores da sociedade em que vivem e os da sociedade dos seus pais que, muitas vezes, nem conhecem.
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