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Correio da Manhã

Portugal
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Médica de pombinha massacrada em tribunal

A especialista em “Psicologia Médica” que tratou da depressão de uma das alegadas vítimas de assédio sexual praticado pelo ex-vereador da Câmara de Tomar, António Fidalgo, foi “massacrada” com perguntas, durante uma hora e meia, na sessão de ontem do julgamento.
7 de Dezembro de 2004 às 00:00
“Uma pessoa é massacrada, tudo é posto em dúvida, em causa”, disse Maria Olívia Magalhães na parte final do depoimento, quando o tribunal a interrogava sobre a “evolução” do estado da paciente S.A. ao longo da terapia.
A médica da alegada vítima de assédio sexual, com consultório em Lisboa, disse que a sua paciente “estava de baixa e com uma depressão muito grave” quando a procurou, em Setembro de 2001, e revelou que a tinha aconselhado a não falar com o presidente da Câmara de Tomar sobre o caso, pois isso não ia resolver nada. “Os homens protegem-se uns aos outros, ainda por cima sendo do mesmo partido.”
Conhecida nos corredores da autarquia como a “pombinha do vereador”, S.A. e mais três funcionárias da Câmara de Tomar queixaram-se em tribunal de terem sido assediadas por António Fidalgo, na altura vereador da Educação, no seu gabinete.
António Fidalgo, que entretanto renunciou ao cargo, é acusado do crime de coacção sexual na forma continuada e em concurso efectivo sobre quatro mulheres do departamento que chefiava.
A 15.ª sessão do julgamento, realizada ontem, teve duas horas e meia, durante as quais foi ouvido o testemunho da médica e apresentados vários requerimentos. Na audiência foi manifesta a dificuldade de entendimento decorrente do uso do sistema de vídeo conferência.
O advogado de S.A. criticou a forma como decorreu a inquirição, o que mereceu a concordância do Procurador da República e a discordância do advogado do arguido e do colectivo de juízes.
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