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Correio da Manhã

Portugal
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Medicamento acaba com o vício do fumo

São muitos os que tentam pôr um ponto final no vício do cigarro, mas poucos conseguem realmente atingir esse objectivo. O cenário está, apesar de tudo, prestes a mudar: a Comissão Europeia aprovou no início do mês a comercialização, na Europa, de um novo medicamento, a Vareniclina, que promete acabar de vez com a dependência física em relação à nicotina.
17 de Outubro de 2006 às 00:00
Puxar de um cigarro e levá-lo à boca vai deixar de saber tão bem
Puxar de um cigarro e levá-lo à boca vai deixar de saber tão bem FOTO: HAAKON MOSVOLD LARSEN/EPA
Os laboratórios Pfizer vão distribuir o remédio em Portugal, mas as embalagens só devem chegar às farmácias no início de 2007.
Cecília Pardal, coordenadora da comissão de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, fez a avaliação teórica do remédio e concluiu que, “em termos técnicos, parece ser um medicamento muito bom”. Ao contrário do que acontece com os produtos à venda no mercado (pastilhas, inaladores ou compressas que funcionam como substitutos da nicotina), a Vareniclina “actua de duas maneiras”. “Vai fazer com que as pessoas não tenham uma urgência tão grande em fumar e vai evitar os sintomas de privação provocados pela falta de nicotina”, um elemento perturbador que causa aumento de apetite e irritação. Em termos práticos, explica Cecília Pardal, “a nível cerebral existem receptores para a nicotina – o novo medicamento bloqueia-os, refreando a urgência em fumar e combatendo a sensação de privação”. Além disso, “sempre que uma pessoa pegar num cigarro não vai ter aquele prazer habitual” que lhe está associado.
O tratamento tem a duração de 12 semanas, com dosagens progressivas: no início, um comprimido basta, sendo a dose aumentada no momento em que se inicia a privação. Outra das novidades é que a toma do remédio começa entre sete a 14 dias antes de a pessoa fumar o último cigarro, para que os efeitos sejam progressivos.
“A força de vontade para deixar de fumar não basta, porque existe uma dependência psicológica e física”, lamenta a especialista. Cecília Pardal até admite que “a dependência psicológica é fácil de contornar, alterando-se mudanças no comportamento”. Mas não tem dúvidas de que “a dependência física tem de ser tratada”. Os principais efeitos secundários são náuseas e, em percentagens mais pequenas, insónias e pesadelos.
Cerca de 25 por cento dos que tentam largar o tabaco desistem ao fim de uma semana. Após um ano, só três por cento consegue manter os seus objectivos sem ajuda.
SAIBA MAIS
TABAGISMO EM EUROS
Na Europa, mais de 1,2 milhões de pessoas morrem anualmente por causa de doenças relacionadas com o tabagismo. A Organização Mundial de Saúde prevê que, em 2010, o problema possa custar 130 mil milhões de euros.
EM PORTUGAL
Todos os anos são diagnosticados 3500 novos casos de cancro do pulmão em Portugal. Mais de metade destes doentes acaba por morrer em menos de um ano.
VACINA EM BREVE
Nos Estados Unidos, os laboratórios estão a desenvolver uma vacina que impeça a nicotina de chegar ao cérebro, extinguindo a habituação e a vontade de fumar. A NicVax servirá não fumadores e fumadores que queiram reduzir o consumo de tabaco.
DUPLO ATAQUE
A Vareniclina não vai actuar por si só no combate ao vício do tabaco. A acompanhá-la estará um plano de apoio que funcionará como guia de acompanhamento dos doentes.
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