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Correio da Manhã

Portugal
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Medicamentos sob suspeita

Há pelo menos seis medicamentos para a asma comercializados em Portugal que, alegadamente, potenciam a doença e podem mesmo conduzir à morte. Estudos recentes realizados nos EUA indicam que um deles conduziu já ao falecimento de 13 doentes em apenas 28 semanas de tratamento.
14 de Julho de 2005 às 00:00
Seis medicamentos contêm substâncias perigosas
Seis medicamentos contêm substâncias perigosas FOTO: Gonçalo Oliveira
Na lista negra estão todos os medicamentos que incluem na composição dois princípios activos: o Folmeterol e o Salmeterol.
O Comité de Segurança da Food And Drug Administration (FDA), entidade norte-americana que regula a introdução dos medicamentos no mercado norte-americano, está reunido desde ontem por causa do assunto e deverá ainda hoje tomar uma decisão quanto à permanência ou à retirada de circulação de todos os medicamentos em causa.
A Agência Europeia do Medicamento, a entidade que regulamenta os fármacos na Europa e a quem compete alertar os países europeus para uma eventual retirada dos medicamentos, aguarda a decisão dos norte-americanos.
Segundo o Instituto da Farmácia e do medicamento (Infarmed), as suspeitas sobre estes medicamentos não são novas. Em 2003, o departamento de Farmacovigilância do Infarmed, em conjunto com o Grupo Europeu de Farmacovigilância, já tinha analisado um estudo destinado a avaliar a segurança dos fármacos em causa.
Os resultados desse estudo, de acordo com o instituto foram, contudo, “inconclusivos”. Segundo o Infarmed, todos os medicamentos com estas substâncias activas contêm, a nível europeu, a informação adequada: “Não há neste momento informação que justifique qualquer tomada de decisão relativamente ao seu perfil benefício-risco, que se mantém favorável”.
LIMITES À PRESCRIÇÃO
“Os medicamentos para a asma estão sujeitos a fármaco-vigilância permanente”, garante ao Correio da Manhã o presidente da Associação Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, Mário Almeida. De acordo com este médicos, os medicamentos para a asma são “broncodilatadores anti-inflamatórios que são prescritos com corticóides. Estes não provocam interacção, o problema é a mistura com outros fármacos, no caso de doentes que tomam outros medicamentos”. Sobre a possibilidade de alguns desses remédios desaparecerem do mercado, Mário Almeida tem algumas reservas, “devido à relação risco-benefício dos fármacos”. Defende que o mais certo serál a “limitação da sua prescrição a um menor número de doentes”.
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