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Correio da Manhã

Portugal
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Médico diz que Ihor podia ter sobrevivido às agressões

Ucraniano morreu por asfixia lenta. Tinha oito costelas fraturas e esteve durante horas na mesma posição.
Débora Carvalho 4 de Março de 2021 às 01:30
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e morreu após ser espancado
Cidadão ucraniano esteve horas em sofrimento
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e morreu após ser espancado
Cidadão ucraniano esteve horas em sofrimento
Ihor Homeniuk tinha 40 anos e morreu após ser espancado
Cidadão ucraniano esteve horas em sofrimento
O médico legista que fez a autópsia a Ihor Homeniuk, morto há um ano no aeroporto de Lisboa, não tem dúvidas de que o ucraniano “poderia ter sobrevivido”, se tivesse sido assistido após as agressões. O perito garante que Ihor, de 40 anos, morreu por asfixia lenta devido às fraturas de costelas e à posição em que estava (algemado nas costas e deitado de barriga para baixo).



No total, terão sido detetadas oito costelas fraturadas. Segundo Carlos Durão, tratou-se de uma “morte lenta”. A dificuldade respiratória foi acentuada pelo facto de ter permanecido assim durante várias horas. No depoimento que prestou esta quarta-feira em tribunal, o médico contou que quando viu o cadáver “sentiu que algo se passava” e que, por isso, alertou a PJ. “Não era possível haver morte natural" naquele caso.

As explicações de Carlos Durão não convenceram as defesas dos arguidos. Confrontado com eventuais lacunas no relatório da autópsia, o médico excluiu qualquer possibilidade da morte de Ihor ter resultado das manobras de reanimação cardíaca. “Quando não se consegue descredibilizar a perícia, descredibiliza-se o perito”, afirmou Durão aos jornalistas.

A advogada Maria Manuel Candal criticou que o Instituto de Medicina Legal autorize a realização de autópsias por médicos que não são especialistas em Medicina Legal. O médico ortopedista, que estudou no Brasil, esclareceu que possui essa especialidade, embora não esteja ainda inscrito como tal na Ordem dos Médicos de Portugal. Desde 2007 já realizou 1200 autópsias.

pormenores
Demitido  Faz um ano
Carlos Durão tinha sido demitido do IML, em novembro, por ter publicado numa revista científica fotografias de um cadáver. Deverá ser admitido em breve, diz o ‘DN’. Ao CM, o médico não confirma.

Três arguidos
Os inspetores do SEF Luís Silva, Bruno Sousa e Duarte Laja estão acusados do homicídio de Ihor Homeniuk, crime punível com penas até 25 anos de prisão. Os arguidos negam as agressões.

Faz um ano

O crime terá ocorrido a 12 de março de 2020, dois dias após o cidadão ucraniano ter sido impedido de entrar em Portugal, alegadamente por não ter visto de trabalho. A família já foi indemnizada.
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