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Correio da Manhã

Portugal

Médico que abusou sexualmente 15 pacientes falta ao início do julgamento

Alcídio Rangel, o médico acusado de 15 crimes de abuso sexual de pessoa internada, juntamente com outros 15 de coacção sexual, faltou esta quarta-feira, por motivo de doença, à primeira sessão do julgamento, a qual decorreu à porta fechada.
21 de Março de 2012 às 16:44
Alcídio Rangel, 61 anos, era médico da Federação Portuguesa de Futebol. Acompanhava a selecção feminina e a de sub-19
Alcídio Rangel, 61 anos, era médico da Federação Portuguesa de Futebol. Acompanhava a selecção feminina e a de sub-19 FOTO: Roberto Pujales

"O meu cliente não esteve presente porque se encontra muito doente e é possível que, por esse motivo, também falte às próximas sessões. Não saberei se estará presente ou não, mas o julgamento poderá continuar normalmente", explicou à Agência Lusa Ana Cotrim, advogada do arguido, à saída do Campus da Justiça, em Lisboa.

Antes do início da sessão, os jornalistas foram informados de que o presidente do colectivo de juízes, Bruno Gorjão, tinha decidido realizar o julgamento à porta fechada, devido ao cariz sexual dos alegados crimes. A próxima audiência está agendada para 28 de Março, às 14:00.

Durante a sessão desta manhã foram ouvidas quatro testemunhas, uma delas da Inspecção-geral das Actividades em Saúde (IGAS).

Na acusação, o Ministério Público defende que o arguido Alcídio Rangel, fazendo-se valer das funções de médico especialista em cirurgia vascular no Hospital de Santa Marta - e ainda nos consultórios e clínicas privadas -, molestou sexualmente 15 mulheres doentes que confiaram nele.

Segundo o Ministério Público, entre 2005 e 2010, o cirurgião, de 52 anos, praticou actos sexuais de relevo com as 15 ofendidas identificadas, fazendo-o de diversas formas, designadamente antes e depois das cirurgias, durante os tratamentos e ainda nas consultas de clínica privada.

A acusação refere que o cirurgião aproveitava-se da situação de debilidade e de impossibilidade de reacção destas doentes e que nele tinham depositado toda a confiança para a prática dos actos médicos necessários.

O arguido agiu com o propósito de se satisfazer sexualmente, com intuitos libidinosos e com inteiro desrespeito pela ética médica, com ofensa dos sentimentos de dignidade e de vergonha das ofendidas, suas doentes, como indica o despacho.

Entretanto, por intervenção da Inspecção-geral das Actividades em Saúde (IGAS), no âmbito de um processo disciplinar, o médico foi demitido de funções públicas em Fevereiro de 2010.

O arguido, que também foi médico das selecções nacionais de futebol, está obrigado a permanecer na habitação e proibido de praticar actos médicos.

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