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Correio da Manhã

Portugal
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MÉDICO SEM SUSPENSÃO

A Inspecção-Geral de Saúde ouviu ontem, no Hospital de Évora, o médico Rúben Garcia, alvo de fortes indícios da prática reiterada de crimes de abuso sexual de crianças, mas não foi encontrada, para já, matéria que justificasse suspendê-lo da sua actividade.
20 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Com os novos dados e as informações prestadas pelo conselho de administração do hospital eborense, cabe agora àquele organismo ditar a instauração ou não de um processo disciplinar ao médico, há mais de dez anos a trabalhar em regime de exclusividade naquela unidade de saúde.

Rúben Garcia foi detido na passada quinta-feira pela Polícia Judiciária e ouvido no dia seguinte por um juiz de Instrução Criminal, em Lisboa. Este aplicou ao médico a medida de coacção de termo de identidade e residência com a obrigatoriedade de várias apresentações semanais na esquadra da zona onde vive.

Na segunda-feira, Rúben Garcia apresentou-se ao trabalho no hospital, tendo o conselho de administração optado por afastar o clínico do cargo de chefe de equipa das urgências e por o obrigar a passar uma declaração a assegurar que os factos de que é indiciado nada têm a ver com qualquer situação de serviço.

A administração do Hospital Distrital de Évora, ao entregar a questão disciplinar à Inspecção-Geral da Saúde e dar conhecimento à Ordem dos Médicos, sente ter cumprido a sua missão em todo o processo.
A detenção deste clínico, um homem bastante reservado, apanhou os colegas de surpresa. De acordo com um comunicado emitido pela PJ, Rúben Garcia é "autor de abuso sexual e pornografia infantil na Internet". Este clínico dedicar-se-ia à exibição e cedência de fotografias de menores em actos sexuais e porno- gráficos, possuindo milhares delas armazenadas no seu computador, bem como vídeos e outros suportes informáticos sobre a mesma matéria, entretanto já apreendidos.

O médico utilizava ainda os canais de conversação na Internet, os chamados ‘chats’, para manter conversas obscenas com menores, a quem aliciaria economicamente e terá, segundo a PJ, mantido contactos físicos com crianças, algumas delas já identificadas.
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