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Correio da Manhã

Portugal
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Médicos de família para 225 mil utentes

Os médicos de família vão ser substituídos por Unidades de Saúde Familiar (USF), o que – afirmou ontem o coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários, Luís Pisco, – permitirá garantir assistência a 225 mil dos 775 mil utentes actualmente sem médico de família, bem como aumentar as consultas ao domicílio.
13 de Janeiro de 2006 às 00:00
A iniciativa de organização de Unidades de Saúde Familiar partiu dos profissionais
A iniciativa de organização de Unidades de Saúde Familiar partiu dos profissionais FOTO: Natália Ferraz
O que se pretende é que médicos, enfermeiros e funcionários administrativos se organizem de modo a constituir e gerir uma USF, a qual poderá ou não funcionar nas instalações dos centros de saúde. Luís Pisco espera que, até final do ano, esteja constituída uma centena destas unidades, assegurando cada uma delas cuidados de saúde a um número de utentes entre quatro mil e 14 mil. Quanto à remuneração dos profissionais, dependerá do número e tipo de pacientes que atenderem.
O coordenador da Missão para os Cuidados de Saúde Primários reconheceu tratar--se de uma “reforma difícil”, já que “começa de cima para baixo, ao contrário do que acontece, normalmente, na Função Pública”. Mas disse também acreditar na possibilidade de mobilização dos clínicos e esperar receber mais candidaturas à constituição de USF do que será possível aprovar nos primeiros meses.
Terão prioridade as equipas oriundas de projectos em curso, como os do Regime Remuneratório Especial, em que os médicos garantem o atendimento no próprio dia e são por isso remunerados da forma prevista para as USF.
CLÍNICOS APLAUDEM
Esta forma de organização merece o aplauso do presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, Eduardo Mendes, que alertou para a necessidade de motivar os profissionais. “Devem criar-se condições para que quem deseja mudar possa fazê-lo”, afirmou, sem esquecer que esta é uma reforma dirigida não aos médicos mas aos utentes, orientada para garantir-lhe maior acessibilidade aos cuidados primários.
NOTAS
METAS PARA 2007
O Ministério da Saúde pretende ter em funcionamento 200 Unidades de Saúde Familiar até 31 de Dezembro de 2007. Até final de 2006 devem constituir-se cerca de cem, organizadas para prestar cuidados primários de saúde a dois milhões de portugueses.
REMUNERAÇÃO
Um das principais diferenças da nova modalidade em relação à presente organização dos centros de saúde diz respeito à remuneração dos profissionais. Nas USF haverá direito a prémios de desempenho e a estímulos pelos ganhos de eficiência.
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