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Correio da Manhã

Portugal
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MÉDICOS DEFENDEM FÍSICA NO ENSINO SECUNDÁRIO

A Física deixar de ser uma disciplina de estudo obrigatório no Ensino Secundário – como consta da Proposta de Reforma – para quem queira seguir Medicina “não faz sentido”, sustentam os médicos ouvidos pelo Correio da Manhã a esse respeito.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
A justificar tal opinião sublinharam a importância dos conhecimentos que, de uma maneira geral, a Física proporciona para o exercício da profissão médica, com referências particulares a especialidades como a Oftalmologia ou a Ortopedia.

A Sociedade Portuguesa de Física (SPF) aponta, no parecer sobre a Proposta de Reforma, “a incongruência de permitir que um aluno ingresse numa escola de Ciências, Engenharia, Medicina, Farmácia, etc, sem nunca ter aprendido Física no Ensino Secundário, quando alguns desses cursos exigiriam a frequência de três anos de Física desse nível de ensino”.

Germano de Sousa, bastonário da Ordem dos Médicos, está de acordo no que à Medicina diz respeito. “O conhecimento da Física Básica é fundamental, mesmo porque, no curso de Medicina, há cadeiras como Biofísica ou Física Médica“, notou, sem esquecer a relevância da Física nas “especialidades de laboratório”, como a sua própria – Patologia Clínica. Além disso, “a Medicina lida, actualmente, com inúmera tecnologia, para a qual é preciso ter fortes bases de Física”.

O vice-presidente da SPF, Manuel Fiolhais, referiu-se designadamente ao “vulgar Raio-X”, que “mais não é do que radiação electromagnética de comprimentos de onda pequena”. “Outras técnicas, como a imagiologia ou a ecografia, resultam directamente da Física”, frisou.
Um médico “deve também saber o mínimo de Física de fluidos - fluidos como sangue –, para poder perceber o percurso deste pelas artérias, o aumento de pressão... a própria medição da pressão arterial tem a Física atrás”, explicou Fiolhais ao CM.

A possibilidade de ‘deixar cair’ a Física, tornando-a opcional, fez António Bento, do Sindicato Independente dos Médicos, ironizar: “Não é na Faculdade que os futuros médicos vão aprender o que é um protão ou neutrão” (partículas elementares), noções básicas em Física.

António Bento lembrou ainda ao CM que só a Física permite compreender as leis da Óptica, pelo que conhecê-la não é de somenos na especialidade de Oftalmologia. Tão pouco na de Ortopedia. “A Física é importantíssima para perceber o movimento do corpo humano”, disse.

Sobre a defesa da obrigatoriedade da Física no Secundário nestas circunstâncias, o Ministério da Educação fez saber que, apesar da sugestão já avançada, “está a recolher e analisar as opiniões” sobre a Proposta de Reforma do Ensino Secundário.

DEFENDER LITERATURA PORTUGUESA

“O lugar subalterno” concedido à disciplina de Literatura Portuguesa no projecto de revisão curricular do governo levou ontem professores e escritores a subscreverem uma carta de “preocupação” ao ministro da Educação, David Justino. Em causa, o facto da disciplina ter sido relegada para uma posição opcional a partir do 10.o ano de escolaridade . Assim, na vertente vocacional (Curso de Línguas e Literaturas) torna-se possível estudantes que queiram seguir Línguas e Literaturas Modernas terminem o secundário sem preparação específica na matéria. Entre os subscritores do documento estão os escritores Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça Moura, Eduardo Prado Coelho, Lídia Jorge e Maria Velho da Costa.
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