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Correio da Manhã

Portugal
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MÉDICOS PEDEM MAIS APOIO

A luta contra o cancro em Portugal, em particular o cancro digestivo, tem um "inimigo": a falta de motivação dos políticos e do Governo em dar meios, em especial financeiros, para o seu combate, criticam os responsáveis pelo Grupo de Investigação do Cancro Digestivo (GICD).
1 de Outubro de 2003 às 00:00
Temos de alertar os políticos para a falta de meios na luta contra o cancro, afirmam os especialistas
Temos de alertar os políticos para a falta de meios na luta contra o cancro, afirmam os especialistas FOTO: Tiago Sousa Dias
Estes especialistas em oncologia queixam-se ainda da falta de tempo para a investigação clínica, que não beneficia os doentes, e pedem estruturas de apoio, como a implementação do Plano Nacional de Oncologia e a criação efectiva de uma rede de referenciação hospitalar. Medidas urgentes, dizem, para inverter o aumento da taxa de incidência desta doença no nosso País, ao contrário do que tem vindo a acontecer nos outros países europeus, onde tem vindo a diminuir.
Este problema preocupa de tal forma os especialistas em oncologia que decidiram criar o Dia Nacional do Cancro Digestivo, ontem assinalado pela primeira vez, como forma de chamar a atenção do Governo, políticos, profissionais de saúde e sociedade em geral para a gravidade da situação.
"Isto pode ser muito perigoso, porque a situação tende a agravar. Precisamos de infra-estruturas, recursos técnicos e humanos para fazer face à situação e se não rentabilizarmos mais as estruturas de saúde, as listas de espera vão aumentar", alerta Guimarães dos Santos, presidente do GICD e especialista do IPO do Porto.
"A investigação clínica tem de ser apoiada e não reprimida, porque os médicos já estão muito ocupados, não têm tempo para a fazer porque passam o dia a ver doentes", afirma Silva Ferreira, da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
NOVOS CASOS AUMENTAM EM PORTUGAL
Todos os anos surgem em Portugal milhares de novos casos de cancro digestivo. Os dados mais recentes fornecidos pelos especialistas em oncologia apontam para 3782 novos casos por ano por cancro colo-rectal e 2690 novos casos de cancro do estômago. A taxa de mortalidade ronda os 70 por cento. O cancro do aparelho digestivo representa a quarta causa de morte em Portugal, sendo responsável por 40 por cento de todas as mortes por cancro. "A longevidade e o facto de há 10 anos Portugal ter a taxa de incidência mais baixa na Europa são as razões que justificam que agora a situação seja inversa, com o nosso país a registar um aumento do número de novos casos, ao contrário dos países europeus", afirma Guimarães dos Santos. Este especialista defende ainda a informação contínua em oncologia, porque "o tratamento que é válido hoje pode não ser dentro de um ano", além que o doente tem direito a essa informação contínua dada pelo seu médico e a tratamento adequado. "A aplicação da rede de referenciação hospitalar, prevista no Plano Nacional Oncológico, é remetida para as ARS e não há visibilidade do trabalho das comissões oncológicas regionais", sublinha.
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