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Correio da Manhã

Portugal
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Médicos receitam menos

Os médicos vão passar a receitar menos medicamentos aos doentes nos centros de saúde – e sempre que possível devem escolher remédios mais baratos. Esta medida visa ajudar a diminuir o défice no sector da Saúde e vem ao encontro das intenções do ministro da Tutela, Correia de Campos.
25 de Julho de 2005 às 00:00
Os centros de saúde vão passar a receitar remédios mais baratos
Os centros de saúde vão passar a receitar remédios mais baratos FOTO: Sérgio Freitas
Em contrapartida, os clínicos receberam luz verde do governante para criarem cooperativas para gerir as unidades de saúde, o que pode acontecer ainda este ano. Ambas as partes saem satisfeitas.
Este acordo resulta de uma reunião, no final desta semana, entre Correia de Campos e os médicos, representados pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM).
Esta contenção da despesa com os fármacos – em 2004, a venda total de medicamentos em Portugal ascendeu a perto de três mil milhões de euros (ver texto ao lado) – é uma medida compreendida e aceite por António Bento, presidente do SIM, que admite ao CM que os médicos prescrevem medicamentos a mais e por vezes optam pelos mais caros. De seguida lembra que Portugal é dos países europeus que apresenta os valores mais elevados na venda e consumo de medicamentos.
DOENTES PEDEM
“Não é apenas prescrever menos, mas sim melhor, de forma mais eficaz e mais barata. Admito que em muitas situações se prescrevem os medicamentos mais caros, quando a situação era resolvida por outros fármacos mais baratos”, afirma o dirigente sindical.
António Bento dá como exemplo o tratamento de amigdalites (infecção na garganta). “Frequentemente prescrevem-se antibióticos de 5.ª geração – fármacos mais recentes e mais caros – para o seu tratamento, que pode não se justificar, pois a situação podia ser resolvida por outros antibióticos mais antigos e mais baratos”, realça.
Questionado o porquê desta opção de prescrição, o sindicalista responde que “os médicos também são humanos e sensíveis à publicidade. Se lhes dizem que um determinado medicamento é muito bom, que resolve muitas situações, é natural que o prescrevam. O apelo do ministro é para que se prescreva mais correctamente”.
Um outro aspecto contribui para a grande prescrição de medicamentos: o apelo dos doentes.
“Os doentes pedem aos médicos receitas de medicamentos e não admitem sair de uma consulta sem pelo menos uma receita na mão. Temos de reconhecer que as pessoas tomam fármacos em demasia, tomam uns comprimidos para acordar, outros para dormir, uns para fazer este efeito, outros para tirar o seu efeito e não nos podemos esquecer que os medicamentos provocam interacção uns com os outros e o seu efeito pode ser perigoso”, conclui.
TRÊS MIL MILHÕES SÓ PARA AS FARMÁCIAS
O estudo ‘Análise do crescimento da despesa no mercado total de medicamentos 2003-2004’, do Observatório do Medicamento do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) refere que o aumento da despesa deveu-se em grande parte com a venda dos genéricos, que representaram 7,9 por cento do mercado total.
Tratar a hipertensão arterial foi a maior factura apresentada às farmácias, com uma despesa de 428 milhões de euros no ano passado. O tratamento das doenças do foro psiquiátrico surge em segundo lugar na tabela dos custos, com uma despesa que ronda os 305 milhões de euros, em 2004. A depressão é a principal doença psiquiátrica a merecer tratamento farmacológico, logo seguida da ansiedade e do stress.
O Infarmed considera que “é importante analisar em futuros estudos se a utilização das substâncias mais recentes e mais caras – que em 2004 foram responsáveis por uma despesa de 126 milhões de euros – representam ganhos em saúde que justifiquem os encargos que acarretam para o Serviço Nacional de Saúde e para o utente”.
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