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Correio da Manhã

Portugal
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Medo volta à Caparica

Sete assaltos a lojas e casas particulares, em apenas duas noites. Comerciantes e moradores da Costa de Caparica, Almada, garantem que a insegurança está de volta à recém-criada cidade. A polícia, referem, é pouca e mal distribuída, o que obriga a um urgente aumento de efectivos. A PSP, no entanto, nega alarmismos, afirmando que a segurança é a adequada à criminalidade existente.
2 de Setembro de 2005 às 00:00
José Ricardo é peremptório. A Brigada Anti-Crime da PSP de Almada deve voltar à Costa de Caparica
José Ricardo é peremptório. A Brigada Anti-Crime da PSP de Almada deve voltar à Costa de Caparica FOTO: Sofia Costa
José Ricardo, rosto do movimento que, no fim de 2004 recolheu 1398 assinaturas de comerciantes e populares da Caparica, entregando-as no Governo Civil de Setúbal, volta agora a dinamizar um movimento que, refere, “quer cortar o mal pela raiz”.
“Em duas noites (terça para quarta-feira, e quarta para quinta), quatro casas particulares foram arrombadas e roubadas, assim como um bar, um café e um restaurante”, resumiu José Ricardo.
A juntar a roubos na via pública e a furtos em interior de viatura (que terão aumentado nas últimas semanas), estes crimes serviram, acrescentou o comerciante, “para exigir mais policiamento”.
“Desde que a Brigada Anti-Crime saiu da Costa de Caparica e foi para Almada, que a insegurança aumentou. A esquadra é velha, tem poucos efectivos, e o Corpo de Intervenção nos fins-de-semana de Verão só fica até à meia-noite”, resumiu José Ricardo.
Assim, a Associação de Comerciantes do Distrito de Setúbal (Delegação de Almada), está já a planear a tomada de novas medidas de força.
Depois de terem entreguado, no fim de 2004, uma lista com mais de mil assinaturas no Governo Civil de Setúbal, a Associação conseguiu “uma vitória”. “Em Janeiro deste ano, a PSP deteve um homem e identificou seis suspeitos dos 67 assaltos do fim de 2004”, recordou José Ricardo.
Agora, após o regresso da insegurança, a solução para os comerciantes deve passar pelo urgente regresso da Brigada Anti-Crime da PSP de Almada à Costa de Caparica. “Para além disso, defendemos ainda mais efectivos para a zona”, concluiu José Ricardo.
PSP NÃO TEM DENÚNCIAS
Se nos últimos dois dias existiu uma vaga de assaltos na Costa de Caparica, a PSP de Almada não tem qualquer conhecimento. Quem o garante é uma fonte policial daquela Divisão, que referiu ao CM “não terem sido apresentadas quaisquer denúncias na esquadra da Costa de Caparica”.
“Até ao final da tarde de hoje (ontem), o comando da referida esquadra não tinha qualquer expediente sobre isso”, concretizou a fonte. Perante este facto, acrescentou o responsável: “não se pode culpar o policiamento existente na Caparica”.
“Consideramos que as patrulhas apeadas, auto e do pelotão ciclista são as adequadas às estatísticas de criminalidade da PSP”, concluiu o mesmo informador.
OUTROS ASPECTOS
ELÉCTRICO
Cristiano Barbosa foi um dos comerciantes da Costa de Caparica atacados por ladrões. “Na madrugada de hoje (ontem), roubaram-me dinheiro e bebidas”, disse o dono do Bar Eléctrico.
PROVISÓRIA
Em 1983, abriu na Costa de Caparica uma esquadra da PSP com uma promessa. A de que seria provisória. Hoje, 22 anos depois, o efectivo policial ainda se mantém naquele local.
COMANDO
José Ricardo, porta-voz dos comerciantes da Costa de Caparica, defende a importância do diálogo com o Comando de Setúbal da PSP. “Só de lá podem surgir respostas”, frisou.
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