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Correio da Manhã

Portugal
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Medo volta a Coruche

"Eles só sabem é roubar.” Fortunato Lopes vive há 70 anos na localidade de Branca, em Coruche. Lembra-se quando as portas ficavam abertas e ninguém roubava nada a ninguém. Agora, diz o septuagenário, “está tudo diferente”.
1 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Fortunato Lopes e Joana Faustino escorraçaram um ladrão
Fortunato Lopes e Joana Faustino escorraçaram um ladrão FOTO: Natália Ferraz
Anteontem, ele e a mulher, Joana Faustino, também de 70 anos, surpreenderam um ladrão dentro de casa e escorraçaram-no com um pau e uma vassoura. O ladrão, de etnia cigana, ainda sacou de uma arma contra o idoso e disparou. Mas não o atingiu.
As queixas na GNR contra elementos da comunidade cigana não se ficam por aqui. Há oito meses o dono do café A Tasca, em Coruche, foi agredido por um homem de etnia cigana, a quem recusou servir uma bebida. Os dias seguintes ficaram marcados por confrontos entre populares e elementos da comunidade cigana – que chegaram a agredir militares da GNR. O efectivo local da Guarda foi, então, reforçado por homens do Pelotão de Intervenção Rápida. Mas, nos últimos dias, os problemas voltaram.
Na noite de sábado um grupo de quatro homens, de etnia cigana, recusou pagar a despesa no bar Bebedouro. “É frequente e, para evitar confusões, já nem dizemos nada”, disse ao CM uma empregada, que pediu anonimato temendo represálias. De seguida, o mesmo grupo dirigiu-se a um outro bar, o Clean, e tentou entrar. “Devido a desacatos ocorridos no passado, foi-lhes barrada a entrada”, disse o gerente.
O grupo foi embora, mas regressou. De caçadeira em punho abriu fogo contra a parede do bar e uma das câmaras de vigilância. “Estava na sala e ouvi tiros. Isto está cada vez mais inseguro. Se temos de sair durante a noite por uma emergência médica, corremos o risco de ser apanhados no meio de um tiroteio”, reclamou Maria Romão, 42 anos, moradora na zona do bar.
A quadrilha foi interceptada pouco depois pela GNR. Mas, presente a tribunal, foi libertada.
A insegurança, para o presidente da autarquia, Dionísio Mendes, prende-se com a falta de efectivos da GNR e a ausência de continuidade nos processos. “Há 15 militares que têm uma área de 1117 km2 sob sua responsabilidade. Não chegam para investigar e para patrulhar. Em termos judiciais, também não há continuidade. Os suspeitos são detidos e postos em liberdade”, disse o presidente. Dionísio Mendes advertiu para o facto de “nem todos” os ciganos se dedicarem a “actividades marginais”.
PORMENORES
DEVERES
“A comunidade cigana tem de entender que se tem direitos, também tem deveres”, disse o presidente da autarquia. “Estão a ser adoptadas medidas de reintegração”, disse.
BARRACAS
A Câmara Municipal de Coruche já tem um plano que visa erradicar todas as habitações degradadas e as barracas do concelho. As famílias que ali residiam em 2001 serão realojadas.
GNR
A comunidade cigana de Coruche tem 400 membros. Desacatos, condução sem carta e furtos são as preocupações da GNR local, que chegou a ter 30 militares e agora apenas metade.
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