A tradicional produção de aguardente de medronho na Serra de Monchique está a passar por uma revolução, com a quase totalidade dos produtores a tentar legalizar as suas destilarias. Neste momento há mais de 90 processos em apreciação na Câmara Municipal de Monchique, que já licenciou 16 explorações. E há mais três dezenas em obras, para cumprir as condições técnicas exigidas.
“Não há justificação para produções clandestinas, pois o processo de licenciamento foi bastante simplificado desde que passou, há cinco anos, para a responsabilidade dos municípios”, sustenta o presidente do município, Carlos Tuta.
O autarca garante que a Câmara, em contacto com a Alfândega de Faro e a Associação de Produtores de Aguardente de Medronho do Barlavento Algarvio – APAGARBE –, “dá todo o apoio técnico aos projectos”. Estes visam, na sua maioria, a recuperação e requalificação de antigos alambiques.
Este esforço de legalização ocorre num momento em que os medronhais estão ainda a recuperar dos incêndios que devastaram a serra algarvia e depois de, no ano passado, a Brigada Fiscal e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) terem apertado a fiscalização à produção de medronho. Isto apesar de a mesma, se for para autoconsumo, não ser ilegal. O problema é a comercialização.
“A produção própria até 30 litros está isenta de imposto. Acima disso, se tiver o estatuto de pequena destilaria, paga 50%. Caso contrário, paga 100%, o que dá uma taxa de nove euros por litro de álcool. Ora, como o medronho tem 50% de álcool, cada litro vendido paga 4,5 euros de taxa”, esclarece José Paulo Nunes, presidente da APAGARBE.
Segundo aquele responsável, o maior problema do sector continua, no entanto, a ser “o facto de o processo de legalização da comercialização, na Alfândega de Faro, não “distinguir os pequenos dos grandes produtores: são todos tratados da mesma maneira, o que cria muitas complicações”. Uma garrafa de medronho (0,70 l) custa, em média, 21 euros IVA.
"FRUTOS DE BOA QUALIDADE"
Em plena fase de apanha do medronho, o presidente da APAGARBE garante que “os frutos são bons”, o que promete aguardente de “muita qualidade”. O processo de fermentação demora entre dois a três meses e, em Janeiro, começa a “destila”. “A produção é melhor do que no ano passado, mas não é nada por aí além, pois as árvores ainda são de pequeno porte”, observa José Paulo Nunes. Daí que “nem todos os produtores (cerca de uma centena, na Serra de Monchique) tenham matéria-prima para trabalhar”. Nos anos 50, 10 mil hectares do concelho de Monchique estavam cobertos de medronheiro e a produção de medronho era de várias centenas de milhar de litros. Desde então, não parou de descer e, em 2003, devido aos fogos, baixou para níveis quase inexistentes.
CONDIÇÕES TÉCNICAS
Todas as destilarias de medronho devem ter as paredes pintadas com tinta lavável, chão de cimento ou tijoleira, tecto na zona de fermentação, saída de fumos, vãos com rede mosquiteira, sanita e lavatório.
PROJECTO OFERECIDO
A Câmara de Monchique elabora e oferece o projecto de arquitectura e especialidades a quem quiser construir uma nova destilaria. Apoia ainda as obras de adaptação das já existentes.
ALFÂNDEGA
Em Monchique, há três destilarias que já comercializam medronho com estatuto de depositário autorizado pela Alfândega de Faro (Cimalhas, Taipas e Monte da Lameira), mas há mais casos em apreciação.
RECUPERAÇÃO
Os medronheiros, devastados pelos fogos de 2003 e 2004, que destruíram cerca de 80% da área do concelho de Monchique, têm vindo a recuperar (trata-se de uma das espécies que mais rapidamente recuperam).
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.