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Correio da Manhã

Portugal

Megaoperação para recuperar explosivos

As polícias nacionais e espanholas têm em curso uma megainvestigação para descobrir o paradeiro dos 500 quilos de explosivos furtados no fim-de-semana de um paiol de Nelas, no distrito de Viseu.
17 de Junho de 2010 às 00:30
“O armazém tem alarme mas não tocou”, refere Maria Alice Duarte, irmã do guarda que vigiava o paiol
“O armazém tem alarme mas não tocou”, refere Maria Alice Duarte, irmã do guarda que vigiava o paiol FOTO: Nuno André Ferreira

As autoridades admitem que o material possa ter sido roubado por elementos da ETA – o que deixa em aberto a possibilidade de existirem células activas da organização terrorista basca em Portugal –, mas um dado contraria essa tese, apurou o CM: para trás, os ladrões deixaram material explosivo de maior potência e que existia em grandes quantidades no paiol.

'Meia tonelada de explosivos é uma quantidade muito grande para se tratar de roubo comum', diz ao CM o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo. Segundo José Manuel Anes, o mais provável é que o furto se enquadre 'na actividade da rede basca que opera em Portugal e que pode não estar completamente desactivada'.

A PJ, porém, não descarta a hipótese de o furto estar relacionado só com a venda de explosivos no mercado negro. O furto de gelamonite e do cordão detonante do armazém de Póvoa de Cima, propriedade de um empresário do Norte, ocorreu entre sexta-feira à noite e segunda de manhã. Aproveitaram o facto de o guarda do armazém não trabalhar ao fim-de-semana. Quando os funcionários chegaram, segunda-feira, depararam-se com a vedação em rede e arame farpado derrubada e as portas dos paióis arrombadas. 'O armazém tem alarme, mas não tocou e quem lá foi andou à-vontade', disse Maria Alice Duarte, 66 anos, irmã do responsável pela vigilância do espaço.

É convicção da PJ que um furto destas proporções exige conhecimentos e uma logística com alguma dimensão. 'Quem o praticou sabia o que estava a fazer', refere uma fonte da Polícia Judiciária. A investigação é liderada pela Unidade Nacional de Contra-Terrorismo.

PORMENORES

FURTOS A NORTE

A suspeita de que a ETA vem buscar explosivos a Portugal não é nova, devido à quantidade de furtos ocorridos no Norte do País.

MINISTRO INTERPELADO

O deputado do PSD, Fernando Negrão, exigiu explicações ao Governo sobre este furto.

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