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Correio da Manhã

Portugal
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MENINA AFOGADA NO TEJO

A tarde de domingo revelou-se trágica para uma família do Bairro de Santo António, Sacavém, quando a filha mais nova, Rita, de 13 anos, foi engolida pelas águas de um fundão do Tejo, na zona do Conchoso, na Grande Lezíria, Vila Franca de Xira. O corpo foi retirado ontem do rio.
8 de Julho de 2003 às 00:00
Os bombeiros retiram das águas o corpo de Rita sob o olhar de dor do resto da família destroçada pela tragédia
Os bombeiros retiram das águas o corpo de Rita sob o olhar de dor do resto da família destroçada pela tragédia FOTO: Marta Vitorino
Terrível coincidência, a morte da menina ocorreu no mesmo dia, mês e à mesma hora (15h00) em que, quatro anos antes, duas irmãs suas morreram esmagadas por um contentor, em Sacavém. Isto depois de, há cerca de 20 anos, outra irmã ter morrido por atropelamento, num acidente de viação. E a mãe também já morreu.
Eram cerca das 15h45 de ontem quando as equipas de bombeiros-mergulhadores deram com o cadáver da menina, no fundo do rio, a poucos metros do local onde desaparecera.
Foram momentos de dor para os familiares, em particular para António Faúl Costa, viúvo e pai da Rita. Olhando para a tragédia que se tem abatido ao longo da sua vida - no domingo perdeu a quarta filha -, apenas conseguia articular: “Já não sei o que mais me irá acontecer.”
Segundo os familiares contaram ao CM, Rita e uma irmã, Soraia, de 15 anos, andavam a apanhar amêijoa, tal como o pai e uma outra irmã, Janete, de 17.
As duas raparigas mais novas envolveram-se ainda nas brincadeiras próprias da idade quando acabaram por cair num fundão com três a quatro metros de profundidade.
“Ouvi a Janete a gritar e corri para salvar a Rita. Estive a um metro dela, mas depois cansei-me e só saí puxado por um vizinho que ali estava”, recordou António Costa.
A Soraia acabou por ser salva por um outro rapaz que estava nas proximidades, vindo a desmaiar de seguida, vítima da comoção da tragédia que acabava de viver.
SÓ RESTA REZAR
Nas horas de espera, durante as buscas, a angústia espelhava-se no rosto dos vários familiares que acorreram ontem ao local ermo onde ocorreu a tragédia.
Ao princípio da tarde, quando as buscas recomeçaram, com o vazar da maré, uma tia da Rita murmurou: “A gente tem que fazer uma forcinha e rezar.”
“O que é penoso é não encontrar o corpo”, dizia António Costa ao CM, acrescentando a sua convicção de que o fundão onde a filha desapareceu é o resultado da extracção de areias. “A maré e a corrente, por si só não fazem fundões tão fundos.”
Resultado da prece ou não, a verdade é que, cerca de uma hora depois, os mergulhadores assinalavam ter encontrado o cadáver da menina no fundo do rio, resgatando-o ao seu túmulo aquático.
BUSCAS
BOMBEIROS
Vinte e sete bombeiros, dos quais 15 mergulhadores, de sete corporações da zona ribeirinha do Tejo, participaram nas buscas pela Rita, apoiados por oito barcos semi-rígidos e uma ambulância, durante quase 24 horas.
TRAGÉDIA
António Costa, ao longo dos seus 51 anos de idade, já perdeu quatro das suas filhas, todas por acidentes. A sua esposa acabou por morrer, também, alguns meses depois da morte em simultâneo de duas filhas.
PENICHE
Em Peniche continuavam as buscas de dois rapazes alegadamente desaparecidos no mar. Dado os poucos indícios existentes sobre se, de facto, os rapazes foram engolido pelo mar, as buscas realizam-se apenas em terra.
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