Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Menina russa fechou partos

A última criança a nascer no bloco de partos do Hospital Distrital da Figueira da Foz foi uma menina, filha de pais russos. A Ana, com 3,230 quilos, veio ao Mundo na madrugada do dia 1 e já se encontra em casa, na Granja do Ulmeiro, concelho de Montemor-o-Velho.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
Tal como nas seis maternidades ou blocos de partos que já encerraram este ano, também na Figueira da Foz o protesto popular se fez ouvir.
“Tristes” e “inconformados” com a decisão do Ministério da Saúde, cerca de duas dezenas de pessoas concentraram-se, ao início da madrugada de ontem, junto ao Hospital.
A concentração iniciou-se poucos minutos antes da meia-noite, hora oficial do encerramento da maternidade. No chão, colocaram três dezenas de tochas acesas, que marcaram o “sentimento de tristeza” pela perda do bloco de partos e urgências perinatais que funcionava naquele hospital há 60 anos.
Segundo a porta-voz do movimento cívico ‘Nascer na Figueira’ (NNF), Silvina Queiroz, “esta é uma batalha que ainda não está perdida”, sobretudo porque a Câmara, a exemplo de outras autarquias, recorreu a Tribunal para evitar o encerramento.
Apesar de reconhecer que “o destino das providências cautelares não tem sido favorável às populações”, a porta-voz do movimento diz que esta tem um formato “ligeiramente diferente”.
“Trata-se de uma unidade de saúde que na rede de diferenciação hospitalar se mantém como urgência médico-cirúrgica e esse é um argumento forte para a manutenção do bloco de partos e para que não se desista da urgência qualificada em termos de obstetrícia e ginecologia.”
Considerando que o ministro da Saúde “se tem afirmado como liquidatário do Serviço Nacional de Saúde”, Silvina Queiroz entende que a população deve lutar “pela preservação de um serviço público de qualidade”. “Vamos continuar a lutar contra esta onda de ataque que parece avassalar o País. Se não ganharmos totalmente, pelo menos vamos minimizar os danos a que a população está sujeita.”
O presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Duarte Silva, acredita que o fecho da maternidade “irá concorrer para diminuir a competitividade do concelho”, tendo em conta que “as pessoas o procuram pela qualidade de vida que oferece”. O autarca ainda acredita que “poderá ser aberta uma situação de excepção” atendendo às especificidades do Hospital Distrital da Figueira da Foz.
As grávidas passam a partir de agora a ser assistidas no Centro Hospitalar de Coimbra ou Hospital Santo André, em Leiria.
NOTAS
PRÉMIO
O serviço de Obstetrícia do Hospital da Figueira da Foz foi distinguido, em Março deste ano, com o Prémio Hospital do Futuro, na categoria Educação, pelo seu projecto de ‘Preparação Parental para o Nascimento’. O prémio reconhecia o trabalho desenvolvido por toda a equipa daquele serviço.
PARTO NATURAL
A Ordem dos Enfermeiros diz que mais de 60% dos partos, em Portugal, é feita por enfermeiros especialistas. O obstectra só intervém perante complicações. No congresso sobre a ‘Humanização do Nascimento’, a ordem admitiu a necessidade de discutir a reabilitação do parto natural.
EXEMPLO HOLANDÊS
Na Holanda, a mulher é acompanhada por uma parteira
desde o início da gravidez, que fica responsável pela vigilância, exames e acompanhamento do parto. Naquele país, havendo baixo risco, a mulher pode escolher o tipo de parto que mais lhe agrada.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)