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Correio da Manhã

Portugal
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MENINAS NÃO PODEM AJUDAR À MISSA

A notícia apanhou de surpresa todo o mundo católico: segundo o jornal 'Jesus', um mensário católico publicado em Itália, as "meninas de coro", que desde há duas décadas podiam acolitar as missas católicas, vão ser proibidas pelo Vaticano, numa decisão que impede também os fiéis de bater palmas durante os ofícios religiosos.
24 de Setembro de 2003 às 00:00
As missas podem ter novas regras, mas adivinha-se forte contestação
As missas podem ter novas regras, mas adivinha-se forte contestação FOTO: Tiago Sousa Dias
Estas duas decisões constam de uma lista de 37 proibições que será publicada até ao final do ano, e que encoraja os fiéis a denunciarem abusos que sejam cometidos nas celebrações eucarísticas.
Algumas das proibições durante as cerimónias religiosas são surpreendentes, nomeadamente a interdição de meninas poderem ajudar à Missa, a de só poderem ser lidos textos da Bíblia, ou ainda, a de os fiéis baterem palmas durante os ofícios.
A lista de proibições, anunciada na Páscoa de 2002 pelo papa João Paulo II, na sua encíclica sobre a Eucaristia, foi redigida por peritos das congregações do Vaticano para a doutrina e o culto, e será divulgada no fim do ano, ou no início de 2004, segundo a revista.
Embora soubessem da publicação, em breve, de um novo directório sobre a Eucaristia, os bispos portugueses não acreditam que o texto oficial contenha as proibições a que a revista italiana se refere.
"Não é possível, por exemplo, proibir as meninas de ajudarem à Missa, quando a permissão para que tal acontecesse surgiu há menos de duas décadas", disse um prelado.
'HAVERIA MUITA CONTESTAÇÃO'
Confrontado com este facto, o arcebispo primaz de Braga, D. Jorge Ortiga, disse ao Correio da Manhã que "a notícia da revista enferma certamente de erros de interpretação ou de tradução deficiente do texto original".
Segundo o prelado bracarense "não é possível que o Santo Padre avance com esse tipo de proibições, quando foi ele próprio que autorizou uma série de inovações na celebração da Eucaristia, entre as quais o fim da distinção entre homens e mulheres, rapazes e raparigas".
Sublinhando que as mulheres exercem hoje funções na Igreja, nomeadamente ao nível dos ofícios religiosos, que há três ou quatro décadas eram impensáveis, como distribuir a comunhão, por exemplo, D. Jorge Ortiga considera "impensável que agora se promova um retrocesso significativo a esse nível".
"Isso seria certamente motivo de uma contestação generalizada em todo o mundo católico, mas eu não acredito que o texto a ser publicado pela Santa Sé contenha essas proibições, sobretudo de carácter discriminatório", acrescentou o prelado.
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