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Correio da Manhã

Portugal
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MENINO AZUL OPERADO

O menino azul, criança de Famalicão que sofre de Tetralogia de Fallot, uma doença rara que lhe confere uma coloração azulada à pele, vai ser submetido a uma intervenção cirúrgica ao coração no próximo dia 26 de Outubro.
30 de Setembro de 2004 às 00:00
A delicada cirurgia, que terá lugar no Hospital de S. João, no Porto, destina-se a substituir um pequeno tubo que permite a circulação sanguínea entre o coração e os pulmões.
Segundo José Monte Roso, médico cardiologista que integra a equipa de cirurgiões cardíacos pediátricos que vai operar o Emanuel, este pequeno tubo destina-se a substituir as artérias que estabelecem a ligação com os pulmões e que se encontravam obstruídas.
“O que acontece é que o tubinho que se encontra no organismo do Emanuel foi colocado quando ele era ainda bebé. À medida que ele cresceu, foi-se tornando demasiado pequeno e agora terá de ser substituído”, explicou o cardiologista, vice-presidente da Associação e Apoio à Criança com Doença Cardíaca (APA-CDC).
Segundo José Monte Roso, antes de ser submetido à intervenção cirúrgica, o Emanuel ficará internado e passará por um período de exames rigorosos, que se destinam a verificar se ele está em condições físicas para se submeter a uma cirurgia tão delicada.
“O caso do Emanuel é muito particular e tem de ser acompanhado no dia-a-dia, sem previsões a longo prazo. Além das complicações cardíacas, sofre de complicações hepáticas, entre outras. Por isso todos os cuidados são poucos e os riscos têm de ser devidamente avaliados”, disse José Monte Roso ao CM.
Apreensiva quanto aos resultados da intervenção está a mãe do pequeno Emanuel, que, apesar de afirmar que confia nas capacidades da equipa de cirurgiões cardíacos pediátricos que vai operar o menino, não consegue evitar alguns receios.
“Tenho medo, porque a operação é bastante arriscada, mas não há alternativa. O aparelho do Emanuel já é demasiado pequeno e insuficiente para as necessidades dele”, explicou Helena Silva, sublinhando que apesar dos seus receios, procura agir naturalmente para não intimidar o Emanuel.
Entretanto, Helena Silva continua a lutar pela criação de uma lei que, estabeleça que o tratamento de todas as crianças com doenças crónicas passe a ser inteiramente gratuito, sublinhando que não quer que o seu filho fique incluído num regime de excepção.
ÁGUIA DO BENFICA CONTRA DOENÇAS CRÓNICAS
Entretanto, numa das muitas iniciativas para apoiar o Emanuel, no próximo domingo, a águia do Benfica vai deslocar-se ao jardim em frente à Casa do Benfica, em Vila Nova de Famalicão.
Inicialmente, o produto da iniciativa destinava-se unicamente ao Emanuel, mas a mãe do menino mostrou interesse em ajudar outras crianças com problemas de saúde semelhantes. Uma sensibilidade que cresceu a partir do momento em que conheceu o trabalho desenvolvido pela Associação de protecção e Apoio à Criança e Doença Cardíaca (APA-CDC), uma instituição particular constituída por médicos e enfermeiros, há cerca de dez anos.
“A Associação procura diminuir o sofrimento das crianças com doenças cardíacas, fornecendo apoio financeiro e nas deslocações para as consultas, divulgação de sintomas e tratamentos da doença, entre outros”, revelou José Monte Roso.
Segundo o cardiologista, “em Portugal nascem por ano cerca de 800 crianças com problemas cardíacos, que necessitam de apoio a vários níveis”.
Sensível ao problema dos outros pais, a mãe do pequeno Emanuel, Helena Silva, vê nesta iniciativa, organizada pelo proprietário da águia do Benfica, “uma oportunidade de ajudar outros meninos com problemas de saúde graves”.
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