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Correio da Manhã

Portugal
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Menino cai de 6º andar

O pequeno Bruno, de quatro anos, foi à janela chamar pela mãe e caiu do sexto andar. Por sorte, os estendais do edifício onde vive, em Santo António dos Cavaleiros, apararam a sua queda. Sobreviveu, mas encontrava-se ontem à noite em estado crítico no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
28 de Dezembro de 2006 às 00:00
Bruno caiu da janela do 6.º andar assinalada na foto
Bruno caiu da janela do 6.º andar assinalada na foto FOTO: Manuel Moreira
Eram 09h30 quando os Bombeiros Voluntários de Loures receberam uma chamada. Do outro lado da linha estava Julião Glória, de 49 anos, que vive no rés-do-chão do edifício onde ocorreu o acidente. A comunicação foi breve: “Caiu uma criança do sexto andar.”
Tudo se passou porque Bruno acordou e, como não encontrou a mãe em casa, que sai diariamente por volta das seis da manhã, decidiu ir à janela chamar por ela. Os dois vivem na Rua Fernão Mendes Pinto, em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures, com o irmão da mãe e a mulher deste, todos de origem africana.
Alguns vizinhos ainda viram o menino debruçado na janela, a chamar pela mãe, mas os gritos para o advertirem do perigo não foram suficientes para impedirem a queda.
Segundo testemunhas, após dado o alerta da queda, “as ambulâncias foram muito rápidas a chegar”. Quando chegaram ao local os voluntários de Loures encontraram o menino prostrado na relva que existe em frente ao edifício. “Estava inconsciente e apresentava várias fracturas, nomeadamente no colo do fémur e nas pernas. Não conseguimos, na altura, ver se teria outras fracturas. Confirmámos que ventilava e chamámos uma VMER [Viatura Médica de Emergência e Reanimação] do INEM. Os médicos depois estabilizaram a vítima”, disse ao CM fonte dos bombeiros.
“Só vi sangue e que o menino estava inconsciente”, salientou ao CM uma senhora que trabalha junto ao local do acidente. “Ainda fui lá ver. Só reparei que deitava sangue pela boca e que tinha a cabeça muito inchada”, acrescentou.
O pequeno Bruno foi transportado para o Hospital de Santa Maria e encontrava-se ontem à noite internado no serviço de pediatria. Do seu estado apenas apurámos que inspirava cuidados.
TIOS DORMEM ATÉ TARDE TODOS OS DIAS
“Quando o meu pai telefonou a chamar uma ambulância, fui ao sexto andar, bati várias vezes à porta, mas ninguém respondeu”, disse ao CM Joelma Glória. Ao que conseguimos apurar os tios de menino acidentado, ambos com cerca de 30 anos, estavam a dormir na altura da queda e só se aperceberam do sucedido muito depois. Segundo um vizinho ambos trabalham num estabelecimento de diversão nocturna de Lisboa e costumam dormir até tarde. A mãe, cuja identidade não nos foi revelada e que tem “pouco mais de 20 anos”, está separada do pai de Bruno. Este, conhecido por ‘Ginga’, tem cerca de 35 anos e vive perto do local do acidente.
A presidente da Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), Helena Cardoso Menezes, disse ao CM que este tipo de quedas “são relativamente frequentes”. “O mais importante é nunca deixar as crianças sem vigilância. No entanto, existem algumas medidas que podem ser tomadas, nomeadamente evitar deixar bancos e cadeiras junto às janelas e até colocar bloqueadores de abertura, que impedem as janelas de abrir mais de cerca de dez centímetros”, acrescentou aquela responsável.
OUTROS CASOS
MENINA CAIU
Uma menina de quatro anos caiu a 30 de Setembro deste ano do quarto andar de um prédio em Massamá, concelho de Sintra. Deu entrada em estado grave no Hospital de Santa Maria, mas conseguiu sobreviver.
SALVO POR GNR
A 29 de Novembro um GNR resgatou um menino de quatro anos de um apartamento em Alcabideche, concelho de Cascais. Desesperado por estar sozinho em casa há quatro horas, o menino preparava-se para saltar do terceiro andar.
PARTIU BRAÇO
No dia 19 de Outubro uma criança de 30 meses fracturou um braço na sequência de uma queda de um primeiro andar, na vila de Grândola.
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