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Correio da Manhã

Portugal
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Menino carbonizado

Vasco Rocha, de 12 anos, que morreu anteontem carbonizado, em Santo António dos Cavaleiros, Loures, foi vítima da sua própria brincadeira: perdeu a vida numa cabana que construíra com os amigos e onde os rapazes atearam um incêndio.
19 de Março de 2005 às 00:00
Vasco Rocha e três amigos pegaram num pacote de batatas fritas e, com um isqueiro, pegaram-lhe fogo. A imprudência precipitou a tragédia.
O rapaz era conhecido em toda a zona envolvente da Rua Guerra Junqueiro, perto da Esquadra da PSP de Santo António dos Cavaleiros, onde vivia com os pais e um irmão mais velho.
“Os vizinhos tratavam-no por ‘Vasquinho’. Era um rapaz que todos se habituaram a ver a brincar por aqui”, disse ao CM Fernanda Lopes, mãe do Diogo, colega e leal companheiro de brincadeiras de Vasco Rocha.
CABANA MORTAL
Vasco e Diogo, acompanhados por mais dois amigos e colegas de escola, Marco e Bruno, foram os responsáveis pela construção de uma cabana, num terreno baldio, situado nas traseiras da Rua Guerra Junqueiro.
“Há algumas semanas, eles começaram a recolher umas tábuas de madeira. Foram juntando, e agora já tinham construído uma cabana de dois andares”, disse ao CM Ivo Rodrigues, morador na zona.
Ao princípio da tarde de quinta-feira, os quatro amigos foram brincar para a cabana. “Eles chegaram aqui pelas 14h00, e entraram lá para dentro”, disse ao nosso jornal Tiago Campos, conhecido dos quatro rapazes.
Ivo Rodrigues foi das primeiras pessoas a aperceber-se de que qualquer coisa estava mal. “Na janela da minha casa apercebi-me que havia muito fumo, que subia muito alto”, recorda o morador.
Por esta altura, já a tragédia se tinha desencadeado. Fernanda Lopes, mãe do Diogo, um dos jovens que brincavam no interior da cabana, descreveu, com a voz embargada, como uma brincadeira terminou da pior maneira: “Mais tarde, o meu filho contou-me que eles usaram um isqueiro para pegar fogo a um pacote de batatas fritas. Aquilo deve ter-lhes fugido de controlo e, quando se aperceberam, já a cabana toda estava a arder”. O colchão e o sofá que eles tinham levado lá para dentro ajudaram a espalhar o fogo.
Marco, Bruno e Diogo fugiram. Vasco voltou atrás para ir buscar a mochila: já não conseguiu sair. Os bombeiros de Loures encontraram o corpo carbonizado. A Polícia Judiciária investiga o caso.
OUTROS ASPECTOS
AUXÍLIO
Os vizinhos da família de Vasco Rocha, em Santo António dos Cavaleiros, desencadearam de imediato um peditório, mal foi conhecida a notícia da morte do rapaz de 12 anos. As dificuldades financeiras da família estiveram igualmente na base da campanha de auxílio lançada pelos conselhos executivos das duas escolas que Vasco frequentou.
VESTÍGIOS
Na manhã de ontem, para além das cinzas, a única coisa que restava do incêndio eram pedaços de espuma e molas do sofá colocado por Vasco Rocha e os amigos no interior da cabana. Tudo o que havia foi consumido pela voracidade das chamas.
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