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Correio da Manhã

Portugal
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Menor ameaçada com faca e violada

Saía de uma consulta no centro de saúde e ia para casa da avó, onde vive. Pelo caminho a rapariga de 15 anos queixa-se de ter sido violada por um desconhecido, ao final da tarde de segunda-feira, num beco de Odivelas, arredores de Lisboa. A vítima diz ter sido ameaçada com uma faca e obrigada a andar cerca de um quilómetro até ao local onde foi violada. A PJ está a investigar.
14 de Setembro de 2006 às 00:00
A jovem foi supostamente interceptada pelas 17h30 de segunda-feira, pouco depois de ter saído do Centro de Saúde de Odivelas. Um jovem negro, com pouco mais de 20 anos, de boné da Nike na cabeça e usando óculos escuros – segundo descrição feita pela vítima – atravessou-se no caminho e encostou-lhe uma faca ao corpo.
“Agora vens comigo e faz de conta que és a minha namorada”. Confrontada com as ameaças do agressor, que lhe mandou que não gritasse, a rapariga efectuou em silêncio o trajecto entre a loja de móveis Moviflor e a urbanização Codivel. Deverá ter andado cerca de um quilómetro.
O indivíduo escolheu cuidadosamente o local para onde levar a rapariga. Decidiu-se por um beco, situado nas traseiras de uma casa de móveis.
Dirigindo-se sempre com grande violência verbal para a jovem, o suspeito preocupou-se em não revelar muito sobre a sua identidade. Nunca tirou o boné da cabeça e deixou sempre os óculos na cara. A rapariga afirma que ainda tentou vê-lo mais de perto, mas não conseguiu.
A violação terá acontecido pouco após a chegada ao beco. O facto de se tratar de um local escuro e de pouca passagem levou a que ninguém se apercebesse.
Após a violação, e apesar de estar desorientada e assustada, a jovem reuniu forças para andar até à casa da avó, sua encarregada de educação. Quando chegou junto da familiar, a vítima apresentava sinais de violência nos pulsos e na barriga. Além disso, tinha a roupa interior com várias manchas de sangue.
De imediato, avó e neta deslocaram-se à esquadra de Odivelas, onde apresentaram queixa da violação. A jovem foi então transportada para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.
Técnicos do Instituto de Medicina Legal de Lisboa, responsáveis pela recolha de vestígios em situações de violação, foram chamados para examinar a vítima.
Depois de concluir os exames médicos, a jovem ainda se deslocou, na companhia de uma brigada da Polícia Judiciária, ao local onde terá sido consumada a violação.
Ao que o CM apurou, foram recolhidos vários vestígios que irão ajudar na investigação ao abuso sexual. A descrição feita pela jovem já terá permitido à PJ efectuar um retrato robô do presumível violador.
PJ DETEVE OITO ABUSADORES
A PJ de Lisboa deteve em Julho e Agosto oito homens suspeitos de abuso sexual de crianças. Sete ficaram em preventiva. Em Julho, na Lourinhã, um homem com 57 anos abusou de um menino de sete. Ficou em preventiva. Um homem de 60 anos foi detido em Vila Franca de Xira, após ter abusado de uma menina de cinco anos sua familiar. Ficou em preventiva. No âmbito de uma investigação que já tinha um suspeito em preventiva por abuso sexual, foi detido outro homem, com 52 anos, indiciado pelo crime de aborto.
A vítima tem 13 anos, o caso ocorreu em Lisboa e o suspeito ficou em preventiva. Noutro caso, um homem de 61 anos foi detido por abuso de uma familiar de 13 anos em Loures. Ficou em preventiva. Já em Agosto, um homem de 46 anos ficou em preventiva por ter violado uma menina de sete, sua vizinha em Sintra. Em Almeirim, um homem de 39 anos abusou de uma menina de cinco sua vizinha. Ficou obrigado a afastamento da vítima.
No mesmo mês, um homem de 30 anos ficou em preventiva por ter abusado de uma menina de onze anos sua familiar, em Lisboa. Um homem com 65 anos ficou também em preventiva por ter abusado durante cinco anos, em Torres Vedras e Portimão, de uma menina actualmente com 13 anos, sua familiar.
ATACAOU TRÊS MENINAS
A PJ dos Açores deteve um homem na ilha Terceira, suspeito de ter abusado sexualmente de três crianças. O detido, de 66 anos, “durante um largo período de tempo cometeu as suas acções em três” raparigas, sendo duas delas irmãs, e a terceira vizinha e amiga, com 6, 8 e 10 anos. Segundo a PJ, os factos foram praticados a coberto de uma relação de proximidade, pois eram vizinhos “porta com porta”. O homem já foi presente a primeiro interrogatório judicial.
OUTROS ASPECTOS
ÓRFÃ
A jovem é órfã de pai. Apesar de ainda ter mãe, vive desde há alguns anos com a avó, no centro de Odivelas. A rapariga é estudante do Ensino Secundário.
CICATRIZES
Os longos minutos que durou o abuso sexual terão sido de pânico para a rapariga. Mas, mesmo assim, terá conseguido reparar que o agressor tem cicatrizes em ambas as mãos e tem a cara repleta de borbulhas.
RECONHECIMENTO
Anteontem, a jovem foi à Polícia Judiciária ver livros de fotografias com suspeitos. Ao que o ‘CM’ apurou, a jovem seleccionou um homem, com fortes parecenças com o violador.
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