Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

Menor foge para casa de alterne

Desesperada com as fugas e o comportamento insubordinado da filha de 14 anos, Ana Dias decidiu entregá-la aos cuidados de um lar para raparigas, em Carnide, Lisboa. Andreia voltou a fugir – e agora ninguém a encontra. A mãe descobriu que, nos últimos dias, a adolescente esteve a trabalhar num bar de alterne, no Bombarral, e teme que ela caia nas malhas da prostituição.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
A mãe de Andreia já correu todos os bairros da Amadora, onde reside, para encontrar a filha. Todos os dias, faz os percursos que fazia quando Andreia ainda vivia em casa, no Casal da Mira, e teimava em fugir para a Quinta da Lage.
Antes, Ana Dias encontrava-a e levava-a. Agora, até já foi ao Montijo e não há sinais da jovem.
Há cerca de um mês, Ana Dias decidiu comunicar o caso à Comissão de Protecção de Menores da Amadora. Andreia é a irmã mais velha de outras três crianças e o seu comportamento era insuportável para uma mulher que sofre, todos os dias, com um aneurisma.
Inicialmente a Comissão tentou regular os comportamentos de Andreia, marcando-lhe horários. Mas ela nunca os cumpriu, acusa a mãe. Há duas semanas, a mãe regressou às instalações da Comissão e pediu outra solução.
Desta vez, a responsável pela Comissão optou por interná-la num lar de acolhimento feminino, em Carnide. No primeiro sábado, dia 13, ela saiu com um rapaz que a mãe pensa ser o namorado. “Ele tem 24 anos. Foi buscá-la e pô-la ao colégio.” Na quarta-feira Andreia voltou a sair, mas não regressou.
A mãe telefonou para um amigo da jovem que garantiu que a tinha deixado no metro da Pontinha pelas 17h00. Desde então, Ana Dias queixou-se à polícia e tem corrido tudo à procura da filha.
A última pista conduziu-a a um bar de alterne no Bombarral. Com a ajuda da GNR, a família de Andreia entrou no estabelecimento e procurou a menor. O patrão confirmou que ela lá tinha estado a trabalhar ao balcão, mas que pensava que tinha 16 anos. Para onde foi, ele diz que não sabe.
SUSPEITAS DE GRAVIDEZ
No Lar Maria Droste, em Carnide, Lisboa, as educadoras não tiveram muito tempo para conhecer Andreia. Mas perceberam que se trata de uma menina problemática. Como a Lei de Protecção de Menores só prevê o regime fechado para jovens que cometam delitos, a subdirectora de serviços do Lar, Maria de Lurdes Pires, diz que o caso de Andreia só se resolveria numa instituição longe do seu meio. Andreia disse às colegas que estava grávida e andava com enjoos. Tinha uma consulta marcada, mas como fugiu faltou. A responsável põe a hipótese de ela ter fugido porque iria começar a frequentar as aulas, o que ela não queria. “É uma menina muito activa. Queria estar sempre ocupada, mas não na escola”, disse.
OUTROS CASOS
VIZELA
A GNR de Vizela encontrou, em Novembro, num apartamento de uma zona suspeita de Braga, quatro menores, de 14 e 15 anos tinham fugido da casa dos pais, na cidade de Vizela. Tinham sido aliciadas para “serem independentes”.
SINTRA
A GNR resgatou, em Julho último, três meninas, entre os 12 e os 14 anos, que alegadamente se prostituíam em duas discotecas clandestinas que funcionavam em Águas de Moura, concelho de Sintra.
30 CASOS
O último relatório da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco refere que em 2005 foram acompanhados 30 menores por prostituição infantil.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)