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Correio da Manhã

Portugal
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Menor violada ao longo de dois anos

Agressor proibia contactos com rapazes e não a deixava ir à escola.
7 de Janeiro de 2011 às 00:30
Menina de 14 anos sofreu durante dois sem denunciar o namorado. Até que a mãe, há dias, descobriu tudo e apresentou queixa
Menina de 14 anos sofreu durante dois sem denunciar o namorado. Até que a mãe, há dias, descobriu tudo e apresentou queixa FOTO: direitos reservados

Iludida com o primeiro amor, Maria, nome fictício, hoje com 14 anos, suportou durante dois anos as violentas agressões do namorado. Era vigiada e obrigada a ter relações sexuais sob ameaça de arma. A menor, que reside no Alentejo, viveu sempre em silêncio, mas, há alguns dias, a mãe descobriu o caso e o jovem, de 18 anos, foi detido pela PJ de Faro.

O violador foi ontem ouvido num tribunal por um juiz de instrução criminal. Ficou sujeito a apresentações periódicas e proibido de contactar com a menor e de entrar na freguesia onde aquela reside.

A relação entre o casal começou há dois anos. Maria, na altura, residia com a mãe e com a irmã, mas o facto de o namorado a pressionar para evoluírem a relação para um nível mais íntimo levou a que a menor decidisse passar a viver com o pai, que era mais permissivo. À medida que o tempo passou, o namorado foi revelando comportamentos cada vez mais violentos e começou a exercer um controlo psicológico cada vez maior sobre a menina.

Maria era obrigada a estar todos os dias com o namorado, que a levava e a ia buscar à escola. O desempregado passava a maior parte do tempo em sua casa, vigiando todos os seus passos. O telemóvel da menor era alvo de um forte controlo. Maria não podia ter contactos com rapazes e, muitas vezes, era proibida de ir à escola, de forma que não contactasse com mais ninguém. A menina era espancada com frequência e violada pelo namorado, que a obrigava a ceder aos seus desejos sexuais.

Amedrontada e incapaz de denunciar o namorado, Maria nunca revelou a ninguém o sofrimento em que vivia. Nos últimos tempos, a mãe da menor apercebeu-se de que aquela apresentava várias nódoas negras no corpo e denunciou o caso à GNR. O caso transitou para o Ministério Público, que o encaminhou para Judiciária. O suspeito acabou por ser detido.

SENTIMENTOS CONFUSOS PARA COM AGRESSOR

Ao aperceber-se das várias nódoas negras que a filha tinha no corpo, a mãe confrontou-a. Maria não denunciou, no entanto, o namorado. Apesar das frequentes agressões físicas e psicológicas de que era alvo, a menor acreditava ainda estar apaixonada pelo namorado e achava que tudo aquilo que ele fazia era por amor.

Diante das autoridades, a menina demonstrou sentimentos muito confusos para com o agressor. O facto de o jovem ter sido o seu primeiro amor e a primeira pessoa com quem manteve relações sexuais levou a que criasse uma forte ligação com aquele. Apesar de estar visivelmente aliviada por se ver livre do pesadelo em que vivia, a menor mostrou-se preocupada com a detenção do namorado.

UTILIZOU ARMAS PARA AMEAÇAR OS AMIGOS

Além de ameaçar a namorada, o jovem intimidou também os amigos daquela com uma pistola. O agressor, que ontem foi ouvido num tribunal do Alentejo, não permitia que Maria tivesse uma relação mais próxima com ninguém e qualquer saída sem a sua presença estava fora de questão.

À medida que os meses passavam, a violência foi-se tornando cada vez maior e, nos últimos meses, os únicos contactos que a menina conseguia estabelecer com as amigas eram praticamente na escola. O pai da menor não se terá apercebido de nada.

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