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Menor entregue ao pai investigado por abuso sexual

Ordem do tribunal de família e menores de Faro. Mãe pede justiça.

29 de fevereiro de 2016 às 15:43

O tribunal de família e menores de Faro ordenou a entrega de uma criança de sete anos ao pai, entretanto investigado por alegado abuso sexual da filha, disse esta segunda-feira a coordenadora-geral da instituição que acolhe menor e mãe.

A ordem judicial foi dada ao abrigo de um processo de regulação das responsabilidades parentais, indicou à Lusa a coordenadora-geral do Gabinete de Atendimento à Família (GAF) de Viana do Castelo, Leandra Rodrigues, que falava à porta do Comando Distrital da PSP "onde a criança se encontra a aguardar a chegada do pai que vêm do Algarve para a vir buscar".

O despacho do tribunal de Faro data de 25 de fevereiro e foi cumprido, de manhã, pela PSP que, contactada pela Lusa, declinou prestar esclarecimentos sobre o caso, realçando apenas que está a cumprir uma ordem judicial.

"Até agora não houve nenhum desenvolvimento ao nível do processo de abuso sexual instaurado em julho de 2015 pela Polícia Judiciária. Hoje, a PSP de Viana do Castelo cumpriu um mandado do tribunal de Faro e foi buscar a menina à escola. Nesta altura está nas instalações da polícia à espera que o pai a venha buscar", afirmou a coordenadora-geral do GAF.

Segundo Leandra Rodrigues "desde julho de 2015 que mãe, empresária, e filha estavam numa casa abrigo do GAF, na sequência "de um processo de violência doméstica que já denunciou por cinco vezes tendo-lhe sido atribuído o estatuto de vítima".

O casal divorciou-se em 2010 e, segundo Leandra Rodrigues, "continuaram a existir agressões e problemas ao nível das visitas depois da suspeita de abuso sexual.

Mãe de menor pede justiça

A mãe da criança que, por ordem do tribunal, foi esta segunda-feira entregue ao pai, entretanto investigado por alegado abuso sexual da filha, pediu "justiça" e que "nenhuma outra criança passe por uma crueldade tremenda".

"Abandonei a minha empresa, abandonei a minha casa, vim para um lugar muito distante para a proteger, a mim e a ela, e mesmo assim não consegui. Tem de haver justiça, tem de haver alguma forma para que nenhuma outra criança volte a passar por isto, é uma crueldade tremenda", afirmou a mulher de 35 anos.

A empresária do setor imobiliário falava à porta do Comando Distrital da PSP de Viana do Castelo, onde aguardou com a filha, durante cerca de cinco horas, a chegada do pai da menina, que veio do Algarve e que à saída das instalações daquela força policial se mostrou indisponível prestar declarações aos jornalistas.

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