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Correio da Manhã

Portugal
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MENOS CASOS NOTIFICADOS POR FALTA DE MOTIVAÇÃO

Burocracia, desmotivação e falta de disponibilidade dos médicos são razões avançadas pelo Alto Comissário da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS) para justificar a diminuição do número de notificações de casos de sida em Portugal nos primeiros oito meses deste ano (de 1482 em 2003 para 364 agora).
12 de Outubro de 2004 às 00:39
A obrigatoriedade e a simplificação do novo modelo da declaração vão facilitar o processo e, a partir de agora, é provável que o número oficial de casos de sida dispare.
Meliço Silvestre afirmou ao CM, à margem do 5.º Congresso Nacional sobre Sida, que termina amanhã na Figueira da Foz, que a subnotificação irá diminuir e chegar-se-á a números mais próximos da realidade.
“A notificação passa de quatro para uma página e o médico só tem de preencher os campos de respostas especiais, que contam para a classificação da doença e para efeitos de estatística nacional e internacional”, explica Meliço Silvestre. Acrescenta que os novos modelos já foram entregues às Administrações Regionais de Saúde(ARS) – irão encaminhá-los para hospitais e centros de saúde – e aos conselhos clínicos da Comissão.
A entrada em vigor da obrigatoriedade da notificação data de 1 de Outubro. Todavia, não há um prazo estabelecido para a sua entrega ao Instituto Nacional de Saúde (INSA), acreditando o responsável pela CNLCS que os médicos, ao contrário do que acontecia, serão mais diligentes na sua entrega.
“Até aqui havia uma espécie de relaxe, mas os médicos foram chamados a colaborar e agora estão mais motivados para a notificação, pois só com os números que traduzam a realidade portuguesa podemos tomar medidas concretas”, sublinha Meliço Silvestre, acreditando ser possível fazer um primeiro balanço da notificação obrigatória no final do ano.
Cerca de 90 por cento das notificações de casos de sida são feitas nos hospitais, enquanto oito por cento são feitas nos cuidados de saúde primários. Actualmente, estão notificados 24 776 casos de infecção VIH/Sida nos diferentes estádios de infecção.
NOVO MODELO VAI SIMPLIFICAR O TRABALHO
“Tudo o que seja feito para simplificar o trabalho do médico vai ajudar e é bem-vindo, porque temos uma sobrecarga de trabalho muito grande”, admite ao CM Luís Pisco, presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral.
A médica de família Rosa Galego partilha esta opinião. Sublinha, contudo, a necessidade de preencher os modelos de notificação obrigatória com especial atenção, porque senão a declaração fica sem qualquer efeito.
“Ainda hoje preenchi uma notificação obrigatória, não sobre o VIH, mas é necessário dispor de pelo menos dez minutos, porque temos de preencher os campos da declaração com cuidado para que o documento seja válido.”
Luís Pisco reconheceu ainda a “obrigação ética” dos médicos em notificar os casos de doença de declaração obrigatória e admitiu que a subnotificação dos casos de sida em Portugal pode vir a ser alterada, com o aumento do número de notificações.
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