Duas das principais unidades operacionais do Exército, a Brigada Aerotransportada Independente (BAI) e a Brigada Ligeira de Intervenção (BLI), vão perder cinco dos seus batalhões, na sequência do projecto de transformação do Exército ontem apresentado pelo chefe de Estado-Maior do Exército, Valença Pinto.
Em contrapartida, Valença Pinto propõe dois batalhões, grupo de artilharia e batalhão de apoio e serviços, comuns às duas forças, uma medida que poderá encontrar a sua justificação numa melhor gestão de recursos humanos, mas também na falta de recursos financeiros.
Mas o argumento nem deixa de causar alguma estranheza, uma vez que o ministro da Defesa, Paulo Portas, foi ontem ao Parlamento dizer que o “Exército português já contratou 11 mil dos 12 mil praças considerados necessários para o novo modelo de profissionalização”, segundo a agência Lusa.
E a reorganização proposta por Valença Pinto vai abranger também os Comandos que recomeçaram há dois anos para chegarem ao figurino de batalhão, mas que agora vão ficar limitados a duas companhias.
E, no entanto, a BAI e os Comandos têm conseguido angariar voluntários suficientes e capacidade própria para crescer.
A própria BLI, sem bem que com grandes lacunas de equipamento, consegue manter níveis perto dos dois mil homens. E os pára-quedistas estão acima dos 100 por cento dos voluntários autorizados (cerca de 2100 homens), embora a quantidade de voluntários que bate à porta dos ‘boinas verdes’ os pudesse fazer crescer até aos três mil homens, número que, no entanto, não está autorizado.
Aliás, o ano passado, por determinação do então chefe de Estado-Maior do Exército Silva Viegas, foi activado na BAI o 3.º Batalhão de pára-quedistas, tendo em conta a necessidade de aumentar a força operacional, e foi-lhe inclusive destinado o quartel de Beja. Mas agora a proposta deu um volte-face.
Para o Estado-Maior do Exército, no entanto, a intenção de Valença Pinto é precisamente a inversa, aumentar o produto operacional, se bem que confirme a intenção de extinguir o 3.º Batalhão ‘pára’ e de retirar à BLI e BAI a artilharia e o apoio de serviços. O Exército garante também nove mil ‘operacionais’ mas não aponta datas em termos de meta.
MECANIZADOS
É a única brigada que não sofre alterações, se bem que seja a estrutura com menos possibilidades de intervir no exterior, enquanto força mecanizada. A meta é chegar aos quatro mil homens. Actualmente terá entre 600 e 800.
INTERVENÇÃO
A Força de Intervenção Rápida, classificada como prioridade vai juntar pára-quedistas, comandos, operações especiais e helicópteros - quando vierem - mas vai ficar com 2500 homens. A BLI ficará nos 3000.
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