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Correio da Manhã

Portugal
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Metade do gang saiu em liberdade

O Tribunal da Marinha Grande condenou ontem 16 dos 35 arguidos num megaprocesso por furtos de ou em automóveis, em lojas e escolas, com penas de prisão até nove anos e dois meses e a prestação de trabalho a favor da comunidade. A leitura do acórdão prolongou-se por quatro horas.
5 de Janeiro de 2008 às 00:00
Os arguidos estavam acusados da prática de mais de 300 crimes cometidos em 2004 e 2005, entre Caldas da Rainha e Ovar. A maioria das acusações eram relacionadas com furtos de ou em automóveis, em estabelecimentos de ensino, associações e algumas casas particulares.
Quando furtavam automóveis a preferência ia para os Fiat Uno (17) e para os Honda Civic (16). No que se refere aos artigos, enchiam os bolsos de chocolates, tabaco, pastilhas elásticas e bebidas alcoólicas.
O Ministério Público tinha formado a convicção de que o grupo era liderado por um dos principais arguidos, conhecido por ‘Cyborg’, de 24 anos, mas o colectivo de juízes presidido por Ana Paula Batista não encontrou provas de associação criminosa. No entanto, deu como provado que o jovem, já com cadastro, participou em 22 crimes – desde furtos qualificados a furtos simples, burlas informáticas e condução ilegal. Ao todo foi condenado a 33 anos e um mês de prisão, mas feito o cúmulo jurídico foi-lhe aplicada a pena única de nove anos e dois meses. O arguido ficou revoltado com a decisão e saiu da sala de audiências aos gritos, prometendo “vingança”.
Dos restantes condenados, cinco terão de cumprir penas de reclusão entre dois anos e três meses e quatro anos e oito meses. Quatro arguidos ficaram com as penas suspensas e cinco terão de prestar trabalho a favor da comunidade por períodos que variam entre as 120 e as 480 horas. “É uma boa oportunidade para começarem a trabalhar e verem como se ganha a vida”, afirmou a juíza, numa alusão ao facto de muitos dos arguidos não terem ocupação profissional. A pena mais leve – 600 euros de multa – foi para uma das duas raparigas acusadas.
Os condenados terão ainda de indemnizar as instituições lesadas. Muitos deles cresceram em famílias desestruturadas e já têm cadastro.
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