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Correio da Manhã

Portugal
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METADONA EM ALTA

Em Portugal, o número de utentes em programas de substituição (em especial, metadona) aumentou 453 por cento (de 2324 para 12 863) no período entre 1997/98 e 2001/02.
23 de Outubro de 2003 às 00:00
Enterrados na droga, os toxicodepentes preferem ocultar a cara por vergonha ou para não ofenderem a família.
Enterrados na droga, os toxicodepentes preferem ocultar a cara por vergonha ou para não ofenderem a família. FOTO: Pedro Catarino
Ao mesmo tempo, o País tem a segunda maior taxa de consumo problemático de drogas dos países da União Europeia (logo atrás do Luxemburgo), assim como também encabeça (a par com Espanha) a lista de infecções por VIH/Sida entre os utilizadores drogas por via injectável.
Em compensação, Portugal tem das taxas de prevalência mais baixas (a seguir à Finlândia) no que diz respeito ao consumo de canãbis (droga ilícita mais consumida na UE).
Estes são dados fornecidos pelo Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (OEDT), órgão da UE com sede em Lisboa, no seu “Relatório Anual 2003: A Evolução do Fenómeno da Droga na União Europeia e na Noruega”, que ontem foi apresentado em Estrasburgo, França.
Por partes, Portugal foi o país da UE que conheceu a maior expansão dos programas de substituição nos últimos quatros, embora o OEDT note que era também dos mais atrasados neste capítulo. De resto, os 12 863 utentes portugueses representam uma taxa populacional inferior aos 78 806 utentes na vizinha Espanha e semelhante aos 13 500 dos Países Baixos (cujo número se mantém estável nesse período).
Os mais de 70 mil utilizadores problemáticos de drogas (consumo por via injectável ou regular de opiáceos, como a heroína) colocam Portugal em segundo lugar da tabela, atrás do Luxemburgo (9,5 por mil habitantes). Em último lugar da lista surge a Holanda (2,6 por mil).
Quanto às infecções por VIH/Sida, Portugal e Espanha são os dois países com percentagens superiores a 20 por cento entre os utilizadores por via injectável. O OEDT nota, contudo, que nos últimos anos o número de novas infecções por VIH tem vindo a diminuir entre a população toxicodependente portuguesa.
Este ano, o relatório inclui pela primeira vez um quadro comparativo dos gastos de cada país na redução de procura de drogas. Os 71,7 milhões de euros referidos para Portugal correspondem a cerca de sete euros/ano por cada português. Uma quantia dentro da média europeia que estima os gastos da UE entre os cinco e os dez euros por habitante.
ABORDAGENS
TRATAMENTO
O tratamento medicamente assistido é quase exclusivamente feito em regime de ambulatório, ao passo que o sem drogas pode ser oferecido em regime de residencial ou ambulatório.
PRODUÇÃO
A Europa continua a ser a principal região de produção e consumo de anfetaminas e ecstasy, que, a seguir à canábis, são as drogas ilícitas mais consumidas, com uma prevalência na população adulta entre os 0,5 e os cinco por cento.
ECSTASY
Apesar de o ecstasy continuar a ter uma alta prevalência entre os jovens europeus das zonas urbanas, não se registou um aumento acentuado do consumo na população em geral e as mortes relacionadas foram relativamente raras, embora estejam a aumentar.
MORTES
Na última década foram comunicadas entre 7000 e 9000 mortes por ano relacionadas com o consumo de droga na UE e na Noruega, continuando a tendência a ser em alta e os jovens entre os 20 e os 30 anos os mais afectados.
APREENSÕES
Em Portugal a droga mais vezes apreendida é a heroína, ao contrário de toda a UE, onde há mais apreensões de canábis (haxixe ou marijuana). O número de apreensões retrata melhor os padrões de consumo do que as quantidades, na medida em que uma só grande apreensão altera a estatística, quando as maiores apreensões nem sempre se destinam ao mercado interno.
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