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Correio da Manhã

Portugal
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“Meu Deus, estive à beira da morte”

"Tirem-me este capacete da cabeça, que me está a fazer confusão", disse, ao ser resgatado pelos bombeiros, o homem que esteve quase quatro horas debaixo dos escombros da derrocada da parede de um prédio, em Braga, e que ontem apanhou o maior susto da sua vida.
20 de Maio de 2009 às 00:30
As operações de socorro demoraram mais de três horas e meia, mas foram concluídas com sucesso
As operações de socorro demoraram mais de três horas e meia, mas foram concluídas com sucesso FOTO: Hugo Delgado/Lusa

Álvaro, de 38 anos, casado e pai de dois filhos, procedia, ontem de manhã, com dois companheiros, ao escoramento das paredes de dois prédios, na rua D. Pedro V, em Braga, para iniciar trabalhos de reconstrução de um edifício.

Cerca das 10h15, a parede de um dos prédios laterais desmoronou--se. Dois dos operários conseguiram fugir, mas Álvaro caiu numa vala, com cerca de dois metros de profundidade e foi literalmente soterrado por toneladas de entulho.

Ninguém imaginava que ele pudesse sobreviver. Os bombeiros chegaram em menos de um quarto de hora. Mal começaram, ouviram o homem a gritar: "Estou aqui."

A alegria contagiou toda a equipa de socorro e ainda mais os seis operários, familiares e amigos, que trabalhavam na obra. Aliás, do lado de fora, foram audíveis os gritos de alegria: "Está vivo, está vivo."

Valeu a Álvaro uma pedra de grandes dimensões, que caiu por cima da vala e suportou as muitas toneladas de pedras, terra e madeira que desabaram.

O capacete aguentou o impacto da pedra, a caixa de ar formada permitiu-lhe respirar e falar com os bombeiros. Ao fim de hora e meia tinha a parte superior do corpo liberta e, mais quase duas horas, foi totalmente resgatado. Eram 14h00. Partiu a clavícula, um braço e uma perna. "Meu Deus, estive à beira da morte", disse, ao aperceber-se da gravidade da situação.

OBRA CUMPRIA TODAS AS NORMAS DE SEGURANÇA

"Aparentemente, a obra estava a ser executada no cumprimento das normas de segurança." A convicção foi manifestada ao CM por um dos dois elementos da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), que vai realizar um inquérito ao acidente de ontem.

Também o vereador da Protecção Civil, Carlos Malaínho, partilha dessa opinião. "As traves não foram removidas, pelo que é de crer que as questões de segurança estivessem acauteladas. Agora só o inquérito determinará as causas do acidente." Da empresa construtora, Patrisólido, com sede em Amares, ninguém quis prestar declarações.

PORMENORES

SEMPRE CONSCIENTE

O homem, que esteve quase quatro horas soterrado, manteve-se sempre consciente e não parou de falar com os bombeiros. Só quando saiu percebeu a gravidade do caso.

TREZE DESALOJADOS

No prédio cuja parede ruiu, não morava ninguém. Mas, por segurança, o edifício seguinte, de três andares, teve de ser evacuado. São treze as pessoas que ficam desalojadas, todas da mesma família.

SEGUNDA EM SETE MESES

Esta foi a segunda derrocada de um prédio em Braga, em apenas sete meses. A 8 de Setembro do ano passado, três operários morreram num acidente na rua dos Chãos.

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