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Correio da Manhã

Portugal

MIL COMERCIANTES BURLADOS

O Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da PSP do Porto desmantelou um grupo de três mulheres e um homem, de Vila Nova de Gaia, que utilizando cheques falsos e documentos de identidade viciados burlou mais de mil estabelecimentos comerciais do Norte e Centro do País.
2 de Abril de 2003 às 00:00
O grupo abastecia-se regularmente de cheques e documentos de identificação furtados por toxicodependentes, contando com vários fornecedores, sobretudo toxicómanos que habitam em bairros sociais do Porto. Depois, o elemento masculino do quarteto, um fotógrafo esmaltador, substituía as fotos dos bilhetes de identidade de modo a concordar com cheques bancários e partiam para as compras. Mais de um milhar de estabelecimentos do Grande Porto, Lisboa, Coimbra, Aveiro, Braga, Viseu e Paredes foram burlados deste modo. As compras nunca eram inferiores a 500 euros, mas também não ultrapassaram significativamente este valor. Os lesados são na sua maioria hipermercados e lojas ou cadeias de electrodomésticos.
Há cerca de um ano, e perante a repetição das burlas, o NIC da PSP começou a suspeitar que os furtos de carteiras e a utilização de cheques e identidades falsos poderiam estar ligados entre si. Após longos meses de trabalho de análise criminal, as autoridades chegaram finalmente aos verdadeiros burlões, mestres na arte da falsificação.
“Não se trata de uma rede mas de um grupo organizado, muito profissional”, disse ao CM o comissário Neto, que coordenou a equipa de investigação.
Os integrantes do grupo, com idades entre os 24 e os 40 anos, têm relações de parentesco, nomeadamente um casal de irmãos e por casamento. Uma das detidas frequenta o 2.º ano de Gestão de Empresas.
Durante anos, o quarteto agiu impunemente, fazendo uma vida faustosa, viajando e divertindo-se. Parte dos artigos que compravam fraudulentamente era para seu uso pessoal e o restante seguia directamente para receptadores em troca de dinheiro vivo. Ainda que o núcleo duro esteja detido, com prisão preventiva determinada ontem ao final da tarde pelo TIC do Porto, admite-se que elementos que gravitavam em seu redor possam vir a ser alvo de atenção policial. O montante total das burlas ainda não foi estabelecido, mas ultrapassa os 700 mil euros.
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