Milhares entopem Segurança Social

Os Serviços da Segurança Social, no Areeiro, em Lisboa, viveram ontem mais um dia complicado perante a avalanche de pessoas que procuram fazer prova dos rendimentos para não perderem o subsídio social de desemprego, o rendimento social de inserção ou o abono de família e bolsas de ensino. Por todo o País, milhares de pessoas entupiram os serviços da Segurança Social.
22.09.10
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Milhares entopem Segurança Social
Nos serviços da Segurança Social, centenas procuravam ontem garantir os benefícios sociais Foto Tiago Sousa Dias

Ao início da manhã, cerca de 300 pessoas apinhavam-se na sala à espera que a sua vez chegasse. Luzia Silva tinha a senha 97, mas às 10h30 ainda só tinham sido atendidas 37 pessoas. "Não faço ideia quando vou ser chamada, mas já estou preparada para estar aqui até às 16h00, quando fecharem os serviços", referiu.

Residente em Lisboa, recebeu uma carta para fazer a prova escolar da filha de 14 anos. "Tinha uma senha para poder aceder à Segurança Social pela internet, contudo, a senha não era aceite pelo computador. Pedi uma segunda via dia 9 mas só a recebi a 20. Fui experimentar e deu novamente nula, pelo que tive de vir para as Filas", acrescentou.

Confuso com todo este processo em que 1,7 milhões são chamados a fazer prova dos rendimentos, Orlando Rocha deslocou-se ao Areeiro a fim de garantir o direito ao subsídio social de desemprego. Com um filho de oito meses, confessou estar baralhado com as novas regras do abono de família. "Como não tenho salário, disseram-se que terei de informar os serviços sobre os rendimentos dos meus pais e sogros. A ser assim, se calhar nem vale a pena tratar de nada", referiu.

Chegada a vez de preencher os papéis surge um novo mar de dificuldades, segundo explicou Maria Costa, da Charneca de Caparica, perante a quantidade de documentos. Na sala de espera juntam-se inúmeras pessoas que não foram capazes de tratar dos papéis pela internet. Perante o acréscimo de beneficiários, os serviços estudam a possibilidade de abrir ao sábado.

MUDANÇAS NO AGREGADO FAMILIAR E HABITAÇÃO

Mudanças no agregado familiar e alterações nos rendimentos dos beneficiários que afastam das prestações sociais os titulares de contas bancárias com mais de cem mil euros são algumas das principais alterações introduzidas com o objectivo de reduzir as despesas do Estado. Agora, contam para o agregado familiar todas as pessoas que vivem na mesma casa, bem como os seus rendimentos. Viver numa casa social também tem de ser mencionado.

MINISTRA EXPLICA REVELAÇÃO DAS CONTAS BANCÁRIAS

A ministra do Trabalho e Solidariedade Social, Helena André, prepara para amanhã uma explicação sobre a obrigatoriedade dos beneficiários revelarem os seus depósitos bancários para obtenção de subsídios do Estado. A necessidade dos beneficiários apresentarem as contas em que são co-titulares de pessoas (como pais ou avós) que não fazem parte do seu agregado familiar não é clara na prova de rendimentos, devendo também a ministra avançar uma explicação.

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