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Correio da Manhã

Portugal
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Militar da GNR baleado "abalado por ver colega ser morto"

Sobreviveu a um tiro disparado na cabeça, fingiu-se de morto e depois conseguiu pedir socorro numa casa, em Aguiar da Beira.
Luís Oliveira e P.G. 15 de Outubro de 2016 às 01:45
Carlos Caetano, de 29 anos, foi morto em serviço.
O militar da GNR do posto de Aguiar da Beira que sobreviveu ao banho de sangue concretizado por Pedro Dias está a recuperar "muito bem" dos ferimentos de bala que sofreu na cervical, mas tão cedo não vai apagar da memória os momentos de terror que viveu nas mãos do homicida - que o tentou executar a sangue frio.

Conduziu a viatura da GNR com uma arma apontada à cabeça durante mais de 15 quilómetros, até ter sido amarrado a um pinheiro, na Quinta da Estrada. Ali, foi obrigado a ajoelhar-se e foi baleado a sangue frio. Fingiu-se de morto até o homicida deixar o local e depois arrastou-se pelo mato até conseguir pedir socorro naquela aldeia com pouca gente. Bateu à porta de uma casa que tinha as luzes acesas. Eram 07h15 de terça-feira.

Foi só a partir daquela altura que foi dado o alerta ao colega da GNR, que estava no posto da GNR de Aguiar da Beira, e também às forças de socorro. "Está muito abalado e afetado psicologicamente. Viu o colega ser assassinado e sabia que ele também ia ser abatido. Sobreviveu por milagre e porque é muito resistente fisicamente", confidenciou ontem ao CM um amigo.

O militar, de 41 anos, natural de Lisboa mas a residir numa aldeia de Penalva do Castelo, era o chefe da patrulha que abordou o assaltante, junto ao hotel em construção nas Caldas da Cavaca.

Considerado "bom operacional e excelente companheiro", o guarda viveu momentos de terror. Mesmo assim, teve serenidade e sangue frio para evitar mais mortes. Era intenção do suspeito atingir mais militares e matava quem lhe aparecesse pela frente - conforme aconteceu ao casal de Trancoso.

Assaltam no dia do massacre
O dia em que Pedro Dias matou duas pessoas ficou ainda marcado por outro crime violento em Aguiar da Beira. A poucos quilómetros da tragédia, em Mosteiro, dois homens encapuzados e armados com uma pistola e uma caçadeira assaltaram um funcionário da Caixa de Crédito Agrícola que fazia o transporte de dinheiro.

As autoridades acreditam que o roubo não tem qualquer relação com o duplo homicídio. Os dois assaltantes terão escolhido o dia depois de estudarem ao pormenor as rotinas do funcionário e atacaram-no no momento em que ele entrava no banco com a mala do dinheiro. Pouco depois, um condutor suspeito foi abordado pela GNR, mas a PJ do Centro, que está a investigar, não o deteve por falta de suficientes indícios.
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