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Correio da Manhã

Portugal
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Militar da Guarda dá tiro na cabeça

Incredulidade e dúvidas. Muitas dúvidas. Era este o sentimento que reinava ontem de madrugada junto dos inúmeros populares que se concentraram à porta do posto da GNR de Lever, em Vila Nova de Gaia.
3 de Setembro de 2007 às 00:00
Inúmeros habitantes da vila de Lever concentraram-se, na madrugada de ontem, junto ao posto da GNR onde ocorreu o incidente
Inúmeros habitantes da vila de Lever concentraram-se, na madrugada de ontem, junto ao posto da GNR onde ocorreu o incidente FOTO: José Rebelo
Um militar, segundo a versão oficial, terá colocado termo à vida, no interior daquelas instalações policiais, com um tiro na têmpora. Recorreu à arma de serviço, uma pistola de calibre 7,65 milímetros e com mais de dez anos. Mas vários populares asseguraram que ouviram dois disparos já depois dos bombeiros terem chegado ao local. Curiosamente, ninguém terá ouvido o tiro que o Comando-Geral da GNR diz estar na origem da morte do militar Hélder Costa, que completaria em breve 26 anos.
Dúvidas populares que não terão fundamento. Segundo o Correio da Manhã apurou junto de fontes policiais, o militar terá mesmo cometido suicídio, por razões ainda desconhecidas, mas que não terão qualquer relação com a sua actividade profissional. “Ele andava com problemas familiares e pessoais já há alguns meses. Pode não ter conseguido aguentar a pressão e cometer esta loucura”, disse um amigo do falecido Hélder Costa.
O major Costa Lima, responsável da GNR, confirmou que se tratou do suicídio de um militar que se encontrava na instituição há três anos e tinha sido colocado no posto de Lever – junto à sua residência (Penafiel) – em Janeiro do corrente ano. Adiantou ainda que este foi o primeiro caso de suicídio registado na Guarda nos últimos dois anos.
“Temos uma baixa taxa de suicídios, mas basta uma situação para nos deixar preocupados. A família já está a ser acompanhada por psicólogos e a Guarda tudo fará para auxiliar a mulher e o filho [um bebé de 17 meses]”, acrescentou o major Costa Lima, esclarecendo que os dois tiros ouvidos pelos populares foram feitos por peritos chamados ao local e em local seguro, porque o invólucro da bala que vitimou o militar ficou encravado na pistola. A vítima é hoje autopsiada.
REACÇÕES
"DEFENDEMOS OS GABINETES DE APOIO": Paulo Rodrigues, Ass. Sind. Prof. PSP
“A questão dos suicídios não se baseia só na profissão. Os problemas começam no foro familiar, e trabalhar nas forças de segurança acentua esses problemas. Nós, ASPP, sempre defendemos os gabinetes de apoio psicológico, e a proximidade que eles devem ter, não só dos agentes da PSP, mas também dos militares da GNR. O problema dos suicídios veio para ficar, e carece de atenção redobrada.”
"RESPONSABILIZAMOS O MINISTÉRIO": José Alho, Asso. Soc. Prof. Ind. da GNR
“Responsabilizamos o Ministério da Administração Interna por muita da tristeza vivida no seio da GNR. Falta-nos um horário de referência, como há muito nos tem vindo a ser prometido. É algo de fundamental para se evitar mais suicídios na GNR. Os problemas de saúde no efectivo continuam a alastrar, e com os problemas do trabalho diário, eles tendem mesmo é a aumentar cada vez mais.”
SAIBA MAIS
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Agentes da PSP puseram termo à própria vida, entre o ano de 2001 e 2006. Na GNR e no mesmo período registaram-se também vários casos, mas os números são mantidos no ‘segredo dos deuses’.
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Anos na GNR era o tempo de serviço que Hélder Costa iria completar no próximo mês de Dezembro.O jovem militar ingressou na instituição em 2004.
RISCO
O stress profissional e a proximidade constante de armas estão entre os principais factores de risco ligados ao suicídio de militares.
ISOLAMENTO
A maioria dos polícias que se suicidou entre 1990 e 2004 morava longe da família. Neste caso, o militar vivia com a mulher e o filho de 17 meses.
SODA CÁUSITCA
A 6 de Maio deste ano, um cabo da GNR de Porto Salvo, Oeiras, tentou suicidar-se depois de ter ingerido água misturada com soda cáustica.
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