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Militar que perdeu as pernas em missão na República Centro-Africana vai ter alta

Aliu Camará foi um dos 24 condecorados por missão em África.

24 de outubro de 2019 às 08:59

Internado há quatro meses, desde que um acidente de viação numa operação na República Centro-Africana obrigou à amputação das pernas, o soldado Aliu Camará foi um dos 24 militares da 5ª Força Nacional Destacada naquela missão da ONU condecorados esta quarta-feira, no Ministério da Defesa, pelos seis meses no país em conflito. O militar comando poderá ter alta para a semana.

Foi a primeira aparição pública do militar desde que ficou ferido a 15 de junho. Recebeu a Medalha da Cruz de São Jorge. "Era comandante da equipa que foi para o local. Tivemos de montar um perímetro na zona e extrair o Camará. Os homens portaram-se muito bem, conseguimos retirar o Camará o mais rapidamente. Foi difícil mas treinamos todos os dias para enfrentar aquelas situações", disse o sargento Ricardo Coelho.

"O que aconteceu com o soldado Camará foi o momento mais complicado. Depois, foi preciso fazer uma manutenção da moral e bem-estar da tropa para continuar", contou o major de Infantaria Tiago Albuquerque.

O soldado não foi esquecido nos discursos oficiais: o ministro da Defesa, que condecorou os militares, destacou a "resiliência que todos souberam manter e que o soldado Camará demonstrou nos meses de recuperação".

E o almirante Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, referiu que "as condições exigiram um forte espírito de missão e sacrifício bem visível no soldado Camará", sob o olhar atento do militar, abraçado por todos os camaradas no final.

DEPOIMENTOS

Tenente médica Diana Vila Chã

Elemento da equipa médica da missão

"Acidente marcou militares"

"O acidente com o soldado Camará foi o mais marcante para qualquer militar desta força. Uma situação crítica, mas que, felizmente, com o elevado espírito de corpo e competência de todos os militares teve a melhor resolução possível."

1º Sargento Ricardo Coelho

Comandante de equipa dos Comandos

"Sentiam-se seguros"

"Via-se na cara da população que sentiam a segurança, que sentiam que iam dormir descansados quando estávamos perto, sem se preocuparem com grupos armados, nem que a meio da noite alguém lhes entrasse pela casa e violasse a mulher ou as crianças."

Major Tiago Albuquerque

"Obstáculos ultrapassados"

"Foram seis meses com algumas complicações dentro do expectável, mas todos os obstáculos foram ultrapassados e os objetivos cumpridos com sucesso. Mesmo com tudo o que aconteceu, as forças tiveram e continuaram a operar apesar da forte baixa psicológica."

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