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Correio da Manhã

Portugal
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Militares traficam carne dos navios

Cinco militares da Marinha e dois empresários estão a ser julgados pelo Tribunal de Almada, acusados de gerirem uma rede que se dedicava a desviar carne propriedade da Armada e destinada aos navios em missão no estrangeiro. Os mantimentos não chegavam a entrar nas embarcações– eram armazenados no Arsenal do Alfeite, Almada, para posterior venda. Ganharam milhares de euros.
30 de Janeiro de 2012 às 01:00
Um dos arguidos deste processo, 1.º sargento José Pacheco, trabalhava no ‘Navio-Escola Sagres’
Um dos arguidos deste processo, 1.º sargento José Pacheco, trabalhava no ‘Navio-Escola Sagres’ FOTO: Pedro Catarino

A Polícia Judiciária Militar (PJ-M) descobriu o negócio após uma denúncia feita pela hierarquia da Marinha, tendo o Ministério Público (MP) de Almada acusado os cinco militares pelos crimes de peculato e os dois empresários por receptação.

Os factos em julgamento remontam ao período entre Maio e Setembro de 2007, quando, segundo a acusação do MP, a que o CM teve acesso, este grupo terá transaccionado pelo menos 3107 quilos de carne. Em apenas quatro meses, os cinco militares da Marinha lucraram com este negócio pelo menos 11 500 euros.

O arguido Luciano Manuel, de 50 anos, sargento-ajudante e chefe do Refeitório do Arsenal do Alfeite, em Almada, geria as câmaras frigoríficas e o paiol de géneros destas instalações. Os restantes quatro militares arguidos (Luís Henrique Viegas, 48 anos, José Carlos Pacheco, 46, e João António Massa e Francisco Mourato, ambos de 45) trabalhavam como despenseiros em embarcações da Marinha, entre as quais o ‘Navio-Escola Sagres’.

Estes estavam responsáveis pela recepção das mercadorias que iam para as câmaras frigoríficas dos navios. Segundo o MP de Almada, o início da actividade delituosa do grupo começava aqui. A carne que era destinada a missões no estrangeiro nunca entrava nos navios, vindo a ser armazenada no Arsenal do Alfeite. Era aqui que Luciano Manuel fazia negócios com empresas externas. De acordo com o MP, os arguidos Vítor Isidoro, das Carnes Isidoro de Mafra, e Sebastião da Silva, da Chavibom, de Loures, estão acusados de receptação por terem fechado negócios com Luciano Manuel.

DENÚNCIA PARTIU DAS CHEFIAS

A investigação da Polícia Judiciária Militar à actividade deste grupo só começou graças a uma denúncia feita à Justiça pelo próprio comando da Base Naval do Alfeite, em 2007. Ao que o CM apurou, a constatação do crime começou quando 150 quilos de carne de vaca apareceram, sem estarem contabilizados nos registos militares, nas câmaras frigoríficas destas instalações da Marinha. Os mantimentos destinavam-se a um navio que estava prestes a partir para o Golfo Pérsico, em missão de combate à pirataria.

A direcção da Base Naval do Alfeite quis averiguar o motivo desta situação – e depressa descobriu que as câmaras frigoríficas tinham servido já, por diversas vezes, para albergar carne desviada dos paióis dos navios. O responsável das câmaras e quatro despenseiros de navios foram detidos e constituídos arguidos. Estão em liberdade.

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