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Correio da Manhã

Portugal
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Ministério Público acusa mulher de matar a mãe asfixiando-a com almofadas e lençóis em Gaia

Arguida encontra-se em prisão preventiva. Fugiu durante 15 dias após o crime.
Lusa 4 de Janeiro de 2021 às 13:39
Idosa
Idosa FOTO: Getty Images
O Ministério Público (MP) acusou uma mulher, de 48 anos, de matar a mãe, em julho de 2020, em Vila Nova de Gaia, anunciou este segunda-feira a Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP).

Segundo uma nota publicada na página da Internet da PGRP, o MP "considerou indiciado que a arguida, depois de acabar uma relação de união de facto e em situação de desemprego, foi viver para Vila Nova de Gaia, com a sua mãe", de 69 anos, "acamada e dependente da arguida, que fazia as compras e assegurava os cuidados básicos de sobrevivência".

A acusação do MP no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Procuradoria da República do Porto (Vila Nova de Gaia, 2.ª secção) acrescenta que, a meio da tarde de 14 de julho de 2020, a filha decidiu matar a mãe.

"Tendo em vista acabar com a convivência com a sua mãe, que não pretendia mas que atenta a sua condição económica não tinha como evitar, dirigiu-se ao quarto onde a mesma se encontrava acamada e colocou sobre o seu rosto duas almofadas, pressionando com força para a impedir de respirar", relata a acusação, citada na nota da PGRP.

O MP acrescenta que, como a arguida viu que a mãe ainda respirava, esta "muniu-se de um lenço, enrolou-lho à volta do pescoço e puxou as pontas, segurando, matando a vítima por asfixia".

Dois dias após o homicídio, em 16 de julho de 2020, a arguida saiu de casa "levando consigo dois cartões multibanco referentes a contas bancárias da mãe, com os quais efetuou levantamentos, compras e pagamento de serviços no montante global" de 4.773 euros.

A arguida encontra-se em prisão preventiva.

A acusação do MP foi deduzida em 17 de dezembro, estando a decorrer prazo para a abertura de instrução, fase facultativa que pode ser requerida pela arguida e que visa decidir por um juiz de instrução criminal se o processo segue e em que moldes para julgamento.

Em 31 de julho de 2020, a mulher foi detida pela Polícia Judiciária (PJ), após se entregar às autoridades.

Em comunicado, divulgado nesse dia, a Diretoria do Norte da PJ referia que o crime teria ocorrido na tarde de 14 de julho, "na sequência de mais uma discussão entre a arguida e a sua mãe", acrescentando que a filha tinha regressado à casa da progenitora, no concelho de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, em março desse ano.

"O relacionamento entre mãe e filha sempre foi marcado por conflitos, sendo que em data prévia ao homicídio, a arguida terá causado a queda daquela, cuja locomoção ficou limitada desde então. Naquela tarde [de 14 de julho], após nova discussão, terá acabado por asfixiar a progenitora", explicava a PJ.

Desde o dia dos factos, indicava ainda o comunicado da PJ, a arguida "pernoitou em vários hotéis e pensões, efetuando levantamentos e pagamentos com os cartões bancários da sua mãe" até ao dia em que se apresentou às autoridades.

A mulher, acusada pelo MP homicídio qualificado, já tinha antecedentes criminais por ofensas à integridade física e peculato (crime que consiste no desvio ou no roubo de dinheiros públicos).

JGS // JAP

Lusa/Fim

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