Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

MINISTRA ADMITE ENGANO

A ministra da Educação, Maria do Carmos Seabra, sugere que os erros e atrasos nas listas de colocação de professores terão tido origem num problema informático, mas em entrevista à revista 'Sábado', publicada esta sexta-feira, declara que prefere esperar pelos resultados das auditorias, deixando entender que os seus serviços não a informavam de forma conveniente.
24 de Setembro de 2004 às 10:29
Em entrevista à 'Sábado', a ministra da Educação admite que errou ao pensar ser possível cumprir os prazos inicialmente previstos. Terá sido esse equívoco que a levou a declarar publicamente, já com erros à vista, que a colocação estava a correr bem. Maria do Carmo Seabra deixa implícitas, na entrevista, as razões subjacentes a esse equívoco: "Julguei sempre que podia confiar nas informações que me estavam a ser dadas".
Esta insinuação está nitidamente direccionada para o interior do próprio ministério e não pode deixar de ser relacionada com a última manchete do semanário "Expresso", que no passado sábado noticiou a demissão próxima da directora de Recursos Humanos e do director de Informática do Ministério da Educação.
A directora de Recursos Humanos do Ministério da Educação, que esta semana não se apresentou ao trabalho, foi apontada pelo "Expresso" como uma das principais responsáveis pelos sucessivos poblemas, sendo mesmo acusada de "sabotagem do sistema". Joana Orvalho quebrou hoje o silêncio, em declarações ao diário "Jornal de Notícias", negando as acusações e insistindo em como os problemas foram de origem técnica. Segundo referiu, trata-se de um processo complexo por se estar perante legislação nova, cuja interpretação nem sempre foi clara.
A ministra prefere não entrar em polémicas. Na extensa entrevista que concedeu e que é hoje publicada na revista 'Sábado, Maria do Carmo Seabra admite que tem ideias sobre o que se passou, mas prefere esperar pela completa colocação dos professores e pelos resultados das auditorias pedidas, para tomar decisões. Recorde-se que as listas de colocação estão agora a ser elaboradas manualmente e a sua publicação está prometida para até o final do corrente mês.
Uma das decisões que a ministra terá de tomar é se processa ou não a empresa responsável pelo sistema informático que terá falhado, a Compta. A empresa teve Couto dos Santos na Administração e tem como presidente da assembleia-geral o social-democrata Rui Machete.
A situação política da ministra é 'apertada', pelo que não supreende a notícia hoje divulgada pelo semanário "Independente", segundo a qual Maria do Carmo Seabra pôs o seu lugar á diposição do primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, disponibilizando-se para assumir a responsabilidade pelo fracasso. Esta informação 'encaixa' nas recentes declarações do primeiro-ministro em Nova Iorque, desde ontem reafirmou confiança política na ministra, ao mesmo tempo que dizia não querer falar de assuntos domésticos durante uma missão oficial no estrangeiro.
A maioria parlamentar (PSD / CDS-PP), que bloqueou uma proposta comunista de abertura de um inquérito parlamentar para apuramento de responsabilidades políticas no falhanço do arranque do ano lectivo, solicitou ontem a presença na Assembleia da República de Maria do Carmo Seabra e do seu antecessor David Justino. Foram também chamados o actual e o anterior secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa, a directora de Recursos Humanos do Ministério da Educação e o presidente do Conselho de Administração da Compta.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)